Mais um primeiro semestre se vai, e daqui a pouco já é Natal, Ano Novo e você não ouviu os discos incríveis que foram lançados esse ano ainda. Pra não deixar tudo lá pro listão de final de ano, nós damos um spoiler de oito discos que você talvez tenha escutado (ou não) e não saíram do nosso repeat nesse primeiro semestre:

_RUBEL, CASAS

Em 2013, Rubel lançou o seu primeiro disco de maneira despretensiosa, com os artifícios que tinha na época: a voz, o violão e boas histórias pra contar. A ideia era registrar o que tinha vivido e produzido musicalmente durante um intercâmbio no Texas. Acontece que as canções conquistaram uma galera na internet e o carioca que estudava pra ser cineasta, acabou por continuar na carreira de músico – e a gente agradece.

Cinco anos depois, ele volta com o seu segundo disco: “Casas”. E, embora o forte das músicas ainda sejam as narrativas intimistas e acolhedoras, Rubel inventou uma nova forma de apresentar elas pra gente. O estilo voz e violão que faz referência ao folk de Bob Dylan e Fleet Foxes deu espaço pra outras sonoridades como a da música popular brasileira, a música eletrônica e, principalmente, o hip hop. Com participações de rappers como Rincon Sapiência (“Chiste”) e Emicida (“Mantra”), esse é um daqueles discos que, como já diz o nome, vira casa. Dá vontade de morar dentro dele.

_KALI UCHIS, ISOLATION

Kali Uchis passou os últimos cinco anos se revezando em uma sequência de músicas dentro do trabalho de outros artistas. Colaborou com Daniel Caesar, Gorillaz, Tyler The Creator e outros. Bom, agora chegou a vez dela de chamar esse pessoal pra pegar junto no seu disco solo. A cantora que é colombiana, mas foi criada nos EUA, trouxe um time de PESO pra produzir o seu primeiro disco: “Isolation”. Damon Albarn (Gorillaz), Thundercat, Kevin Parker (Tame Impala) e os meninos do BadBadNotGood são só alguns exemplos. Isso sem falar nas participações especiais de Steve Lacy, BIA, Jorja Smith e Tyler The Creator.

Mas nada desse time de produtores e cantores seria o suficiente se a própria Kali não fosse fascinante. E ela é. A cantora parece ter vindo de um lugar e época diferente. “Isolation” tem faixas nostálgicas, outras mais futuristas e ainda as que misturam os dois sentimentos nos deixando completamente imersos no disco. Unindo isso há ritmos como funk, bossa nova, reggaeton e soul, ela ganha nossa atenção e dá um refresh no pop atual.

_ELZA SOARES, DEUS É MULHER

“Mil nações moldaram minha cara // Minha voz, uso pra dizer o que se cala // O meu país, é meu lugar de fala”: Elza Soares – no auge dos seus 81 anos, desses mais de 50 destinados à música – abre seu novo disco cantando esses versos à capela. A força dessa música – e das que vem depois dela – é de arrepiar. “Deus é Mulher” é o segundo disco inédito lançado por Elza e não fica atrás de “A Mulher do Fim do Mundo”, super elogiado em 2015. Três anos depois, ela nos entrega um disco tão completo quanto o anterior. Funcionando praticamente como uma sequência, esse álbum aborda temas como religiosidade, sexualidade, violência urbana e muito mais. Um álbum essencial – e que não passou em branco nesse primeiro semestre.

_SUPERORGANISM, SUPERORGANISM

O Superorganism vem conquistando cada vez mais espaço na cena indie. Assistimos a banda lá no SXSW e tivemos certeza que eles vão além. O grupo formado por oito artistas de diferentes cantos do mundo se conheceu em fóruns online, decidiu criar umas músicas coletivamente e postar no Soundcloud. O que eles não sabiam é que o rapper Frank Ocean e o guitarrista Ezra Koenig (Vampire Weeknd) iriam ouvir os sons e tocá-los em seus programas de rádio. Foi aí que a coisa tomou outra proporção: eles se mudaram pra uma casa em Londres, foram contratados pela gravadora dos Arctic Monkeys (Domino) e começaram a criar canções, vídeos e instalações de arte fisicamente. E o melhor: tudo isso aconteceu em menos de um ano. Eles, literalmente, são o maior símbolo da geração instantânea da internet e dos gifs, memes e dos 15 segundos do stories do Instagram.

Com referências que vão do synth pop dos anos 1990 (Deee-Lite, Avalanches), passando pelo projeto multimídia Gorillaz até a própria Factory criada nos anos 1960 pelo Andy Warhol, o coletivo lançou seu primeiro disco esse ano. Gravado entre janeiro e agosto de 2017, o primeiro álbum da banda mistura faixas dançantes com outras mais introspectivas, psicodélicas e até mesmo estranhas. Dê o play e descubra!

_MARIA BERALDO, CAVALA

Maria Beraldo não é necessariamente um nome novo na cena paulista. A cantora, compositora e clarinetista já trabalhou com nomes como Elza Soares, Negro Leo, Lineker, Iara Rennó e Arrigo Barnabé. E foi a partir desses trabalhos que construiu uma atmosfera minimalista para o seu primeiro disco: “Cavala”. São dez faixas que fazem juz ao manifesto do álbum que o vendeu como um “grito de liberdade de uma mulher lésbica”. Da primeira a última música, todas as combinações de instrumentos, melodias e composições revelam um disco feito pra mostrar a constante descoberta de Maria quanto ao mundo. 

E nesse sentido, “Cavala” não esconde sua real intenção de investigar a sexualidade e os gêneros em um mundo cada vez mais discute essas questões. Sua sonoridade é bastante diversa e a dificuldade de nomeá-la com rótulos específicos limitaria suas possibilidades, já que parte da apreciação do disco vem justamente do mistério costurado entre os arranjos e timbres. Autobiográfico, o trabalho ainda conta com uma reinterpretação de “Eu Te Amo”, de Chico Buarque.

_KACEY MUSGRAVES, GOLDEN HOUR

Kacey Musgraves vem reinventando o pop-country desde o lançamento do seu primeiro disco “Same Trailer Different Park”, de 2013. Diferente de grandes nomes do estilo como Taylor Swift, ela trata as suas músicas como um diário aberto que não fala só sobre amor – tema comum nas narrativas da música country pop – mas também compartilha seus sentimentos sobre questões que todos nós, humanos, passamos. Com um som que mistura referências do passado (folk-rock da década de 1960/70) e do presente (country pop dos anos 2000), ela nos apresenta um disco original, inventivo e que é daqueles pra ouvir em viagem de família. Desde a sua irmã pequena até a sua vó vão curtir. E sobretudo, “Golden Hour”, é um refresco pro cenário do pop-country atual. Resumidamente: fique de olho em Kacey Musgraves porque a partir daqui ela só tende a crescer.

_DUDA BEAT, SINTO MUITO

Vocês lembram que a gente falou da Kali Uchis nesse mesmo post? Pois bem, imagina só se a gente tivesse uma “versão brasileira” dela? Então, parece que nós encontramos alguém que utiliza referências – tanto estéticas, de visual, quanto musicais – muito parecidas com as da Kali. Natural do Recife, porém moradora do Rio há treze anos, Eduarda Bittencourt ganhou nosso coração (ou o destruiu) com seu primeiro disco. “Sinto Muito” é um álbum para corações reconstruídos, com músicas sinceras, “à flor da pele”, que falam sobre o amor nas suas mais diferentes formas. Misturando o pop com pinceladas das melhores influências atuais (indie, r&b, tecnobrega, axé, trap), a pernambucana nos entregou um disco delicioso nesse primeiro semestre que não deveria passar despercebido pelas suas playlists.

_SOPHIE, OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES

Desde 2013, Sophie Xeon vem produzindo nomes como Madonna, Charli XCX, MØ e tantos outros do universo pop. Pois bem, chegou a hora da escocesa tirar um tempinho pra lançar o seu próprio disco: “Oil Of Every Pearl’s Un-Insides”. Como já esperado, o álbum é repleto de melodias tortas, ruídos eletrônicos e vozes carregadas de efeito. O objetivo dela é experimentar mesmo com a música pop, e ela consegue fazer isso magnificamente bem. Esse é um disco legal pra quem quer pensar fora da caixinha.

Essas e outras novidades do primerio semestre, você encontra na nossa Trending Topics:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *