Desde que a moda é moda e a música é música ambas formas de expressão vem se influenciando. O rock, o pop, o punk e até mesmo o indie lançaram tendências de moda e inspiraram a forma dos seus fãs se vestirem. Além disso, quantos artistas – sem o aval de um movimento musical – não lançaram tendências? David Bowie que o diga!

Seguindo essa lógica, na playlist Fashion Drops nós traduzimos tendências atuais em música, pra mostrar que a moda (quase sempre) anda de mãos dados com a música. Nesse mês, nós criamos uma playlist libertária, atemporal, despojada e democrática, que nem o jeans. De quebra, escrevemos esse post pra te contar que a história desse tecido que tanto amamos tem mais a ver com a história da música do que você imagina. Então, ai vai um pouco de história:

O jeans foi inventado no século XIX como uniforme resistente e duradouro para mineradores, ferroviários e trabalhadores rurais americanos. No entanto, foi a partir da moda jovem que ele se popularizou como um tecido símbolo da juventude e rebeldia, de quem segue a si mesmo. E é claro que a música, principalmente o rock, tem uma participação especial nessa trajetória.

Pense na primeira geração de adolescentes que reivindicaram sua posição no mundo nem como crianças, nem como adultos. Os baby boomers, dos anos 1950, usavam jeans, camiseta branca e jaqueta de couro pra se auto afirmar. Filmes como O Selvagem (1953) e Sindicato de Ladrões (1954) , com Marlon Brando, e Juventude Transviada (1955), estrelando James Dean, associaram o jeans a esse movimento que pregava a completa liberdade.

Pois é nessa mesma época que o rock’n’roll se torna popular com Elvis Presley. De quebra, o americano usou uma calça de brim em um filme e fez com que que a história do jeans e do rock começassem a andar lado a lado. Afinal, as calças com a bainha virada para fora, populares na época, facilitavam os movimentos da dança desse novo e frenético ritmo: o rock’n’roll e o seu subgênero, o rockabilly.

Nos anos 1960, o jeans ficou com a barra mais larga, combinando com o look paz e amor do movimento hippie. Nessa década, quando mais velho, melhor era o jeans, que passou a ser mais barato e funcional. O filme Sem Destino (1969) e o look surrado do Jimi Hendrix no festival de Woodstock (1969) deram ainda mais notoriedade para a peça.

Se nos anos 1950 e 1960, o jeans era sinônimo de rebeldia e jovialidade, é nos anos 1970 que ele vai conquistar de vez o guarda roupa de todo mundo. É nessa década que o tecido ganha definitivamente o seu lugar na moda e começa a ser incorporado nas peças de estilistas famosos. A moda então se apropria da peça revolucionária e confecciona peças para todas as pessoas, de todas as idades, democratizando a peça de vez.

É também no final da década de 1960 e início de 1970 que o rock ganha dois rumos: o glam rock de David Bowie e Marc Bolan, vocalista do T. Rex, e o punk rock de bandas como The Stooges, Sex Pistols, The Clash, Ramones e Patti Smith. Enquanto o glam rock esbanjava calças boca de sino, o punk incorporava ao seu visual jeans escuros, justos e destruídos – que não foram bem aceitos, mas logo incorporados pelos jovens da época que se identificavam com a ideologia faça você mesmo do punk.

Nos anos 1980, os movimentos juvenis mais revolucionários como o punk e o hippie já haviam sido incorporados à moda. No entanto, isso não quer dizer que a música parou de lançar moda. O rock oitentista mais melancólico e eletrônico, muito bem representado por bandas como The Smiths e The Cure, usou muito das calças jeans oversized e delavé acompanhadas de casacos igualmente enormes.

Mas nem só de modelagens gigantes vivia o jeans. A busca pela liberdade sexual feminina dá espaço para modelos ultra sexy e para os jeans de cintura muito alta e super justos. O jeans com muito desgaste e rasgado também se tornou um ícone de moda da década e foi imortalizado por ícones do pop como Madonna.

Nos anos 1990, as bandas grunge ganharam o ♥ da geração MTV e, de novo, a música e a moda andaram lado a lado. O Nirvana influenciou milhares de jovens a cortarem suas velhas e surradas calças jeans, porém, diferente dos Ramones, lá nos anos 1970, a ousadia aqui passa a ser vista como algo cool e não mais tão bizarro pela galera. Quanto mais desbotado ou rasgado o tecido, melhor.

Se nos anos 1980, os jeans rasgados eram acompanhados por peças mais oversized ou luxuosas no look, nos 90 a regra era estar nem aí. Um bom jeans acompanhado de camisetas puídas, cardigans detonados, tênis all star sujinho e camisas com estampas xadrez era quase um uniforme entre os grunges. E vamos combinar, esse look podrinho, tem TUDO A VER com o som da época, né?

Também foi na década de 1990 que outras peças, que não só as calças, começaram a ser produzidas em maior escala. As jardineiras tanto curtas como compridas, muitas vezes sobrepostas com BRUSINHAS listradas ou brancas, eram febre. Assim como coletes, saias, jaquetas jeans, vestidos. Era tanto jeans, que a moda que Madonna já usava nos anos 1980, o look todo jeans, pegou de vez nos 1990. O casal mais shipado e a girl band + famosa dos anos 1990, por sinal, adoravam usar essas tendências.

Mas, e aí, você não notou nenhuma semelhança entre esse look dos anos 1990 e a atualidade? A moda acaba sempre se reciclando, e até falamos disso nesse post aqui. Também já alertamos que a música sujinha, o shoegaze e a pegada das boys e girl bands da década das camisetas xadrez tá voltando desde 2015, nessa conversa. Prova disso é um dos últimos clipes da HAIM e o próprio último álbum. Qualquer coincidência entre esse vídeo de 2017 e os anos 1990 não é pura semelhança:

E qualquer semelhança entre a Fashion Drops desse mês, a moda atual, o jeans 90 e o som sujinho dos 1990 tem tudo a ver. Se joga:

E aí, curtiu saber um pouco mais sobre a história da música e do jeans? Se sim, deixa nos comentários. Em breve a gente te conta mais sobre a relação da música com outras tendências 🙂

One Response to FASHION DROPS: O QUE A HISTÓRIA DA MÚSICA E DO JEANS TEM EM COMUM?

  1. michael disse:

    Que matéria gostosa <3

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