Às vezes, você tem uma ideia. E, às vezes, você tem uma ideia que é uma proposta para revolucionar a sua vida.

A Gio fez exatamente isso. De uma grande revolução – que foi morar fora –, ela mudou tudo ao seu redor e deu origem ao Projeto Gaveta.

Toda essa reviravolta só tende a crescer, O por que disso, a Gio explica aqui pra gente.

1. Abre a cabeça para ideias e mudanças – mudanças, até mesmo, geográficas.

Morar fora me moldou 100% como ser humano. Aos 18 anos, fui morar na Dinamarca, um país com uma cultura totalmente diferente do Brasil, sem conservadorismo e julgamento ao próximo. Lá todo mundo faz o que bem entende, sem se preocupar com a opinião alheia. Já foi um choque pra uma menina que saiu de uma cidade pequena provinciana e caiu de paraquedas por lá. Desde então, já voltei direto pra São Paulo, pois além de ser uma cidade com mais oportunidades, ela te permite ser o que você quiser. Aos 25 anos, morei em Barcelona, onde fiz uma pós em Branding. Lá aprendi o que é ter uma qualidade de vida, viver de uma maneira mais calma, sem a pressa e a urgência que São Paulo nos causa. Isso me ajudou também a ver a moda de uma maneira mais simples, sem glamour, e a usá-la como uma expressão pessoal de quem você é, da sua autenticidade e personalidade. Me abri ao universo de brechós e roupas de segunda mão. Também tive mais acesso ao fast fashion, pois morava ao lado de todas elas. No começo, todos os dias que passava eu comprava uma coisinha; uma sapatilha por R$ 30, uma blusinha por R$ 10. Depois de um tempo, comecei a me questionar por que eu comprava? Só porque era barato. Foi aí que passei a comprar e consumir somente aquilo que precisava, e me tornei menos consumista.

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2. Você ganha em autenticidade.

A cada edição do Projeto Gaveta, recolhemos mais de 5.000 peças, e visualizar todo esse montante de roupas que as pessoas não usam mais é um pouco desesperador. Não nos damos conta da quantidade de roupa que consumimos em um ano, e passei a ter prazer em tirar roupas do meu guarda-roupa que ficam paradas. Dá uma sensação de limpeza, de circulação na energia. A partir daí, penso muito em cada peça que compro. Não compro mais de primeira, pelo impulso. Vou pra casa, penso e, se realmente quiser a peça, porque ela não sai da minha cabeça, volto lá depois e compro. O Gaveta me ajudou a olhar pro meu guarda-roupa de forma mais crítica, a entender o meu estilo e o que eu realmente preciso e vou usar. O Gaveta me ensinou a fazer minha própria moda, a assumir o meu estilo e essa é a mensagem que queremos passar: o seu estilo é único, é só seu e você não precisa copiar de ninguém.

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3. Você vê qualidade de vida > que tudo.

Hoje tenho uma qualidade de vida maravilhosa. Trabalho em casa, não pego trânsito, consigo me dedicar ao teatro (que é minha outra paixão) e me sinto feliz todos os dias. Não fico mais esperando o final de semana. Claro que tem que ter disciplina, e demorei um tempo pra aprender a lidar com horários flexíveis. Trabalhei muito tempo em empresa em que tinha um horário das 9h às 18h (teoricamente, porque sempre acabava ficando mais), e hoje tem dias que começo a trabalhar às 11h, por exemplo. No começo me cobrava muito, de que tinha que trabalhar mais, me questionava se não estava sendo meio “vagal” rs. Mas a verdade é que quando o trabalho vira seu estilo de vida, você acaba trabalhando 24h do seu dia. Quando faz algo que ama, você pensa nisso o tempo todo. Hoje até assistindo um seriado eu tenho ideias pro Gaveta. E aceitei isso dentro de mim, independente de quantas horas trabalho por dia. Faço minhas entregas e dou conta de tudo.
Além disso, amo viajar. Viajo sempre que posso e, todo dinheirinho que ganho, gasto nisso. Com essa rotina, fico livre pra poder viver essa paixão de conhecer novos lugares, viver novas experiências.

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4. Você muda como pessoa.

Me tornei mais humana. É um projeto que é feito basicamente da relação e confiança do ser humano. Ele só existe porque tem um público que acredita nele, e isso me fez ficar mais emocional e perceber o quanto precisamos do outro. Além disso, por estar envolvida em um projeto social, acabamos conhecendo muitas pessoas que trabalham com isso também, não só na moda, como em vários âmbitos sociais. E a gente se une, um ajuda o outro.
Além das trocas, fazemos também o Gaveta na Rua, em que montamos uma loja no centro de São Paulo com as peças que sobram das edições para moradores de rua terem a oportunidade de se sentirem em uma loja, escolhendo suas peças. E nada é mais gratificante do que esse dia. A gente passa a enxergar pessoas que antes eram invisíveis aos nossos olhos. Entramos dentro do mundo deles, conversamos de igual pra igual e ficamos com aquela sensação de que fizemos bem mais pra gente do que pra eles. Hoje passo de carro no Minhocão, pois moro ali perto, e vejo o Jerônimo, o João, o Juliano, pessoas que antes nem percebia.

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5. Você reorganiza seus valores – e o valor que dá a si mesmo.

Sempre digo que, se eu não tivesse o Gaveta, eu estaria perdida. Ele me dá confiança em quem eu sou e me faz perceber que sou capaz de FAZER. Acho que essa é uma das maiores dificuldades da nossa geração; como o mercado é mais concorrido, e tudo é mais difícil, o “arregaçar as mangas e colocar a mão na massa” é doloroso. Por muito tempo achei que não conseguiria, e hoje sei que sou capaz, então isso me fortalece. Também é muito gratificante jogar meu nome no Google e ser ligada ao Gaveta. É algo que tenho muito orgulho em fazer.
E pensa: sou formada em marketing e pós graduada e branding. O Gaveta é como se fosse um filhinho, é algo que saiu de mim e da Raquel, minha sócia. Tem a nossa carinha, nossos valores, nossos conceitos. Ele é do jeitinho que queremos. Pensar em comunicação, estilo, pro Gaveta, faz nossos olhos brilharem mais do que se trabalhássemos para alguma marca que não fosse nossa. Tenho o que sempre quis: algo meu, com minha cara e que desse certo 🙂

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