Elas cantam, tocam, produzem, comandam suas próprias carreiras. Levantam a bandeira da representatividade, ditam moda e tem performances de arrepiar, cheias de atitude. O que é que a baiana tem? Nós não sabemos, mas volte e meia aqui no blog saudamos algumas delas. Ano passado, falamos sobre a incrível Xênia França, na nossa inauguração em Salvador tivemos o show da incrível Jadsa Castro. Então, o que nós sabemos de verdade é que a quantidade de mulher INCRÍVEL na cena baiana não é pouca e nós não poderíamos deixar de apresentar algumas delas nesse post:

_ Jadsa Castro

A cantora, compositora e multi-instrumentista Jadsa Castro até pode ter vários títulos relacionados ao seu nome, mas o que a baiana menos quer é ser encaixada em uma caixinha. Desapegada de conceitos musicais quadrados, ela busca experimentar o máximo possível na percussão das suas músicas e na entonação da sua voz forte, impactante, que por vezes lembra a de cantoras como Cássia Eller e Maria Gadú. Munida de cantigas ancestrais do candomblé e da vivência no cenário punk riot grrrl da Bahia, Jadsa nos apresenta um conceito novo de música ao unir o melhor da Bahia com a referência a mulher incríveis do cenário atual como Elza Soares, Karina Buhr e Ava Rocha.

_ Illy

Anote esse nome: Illy. Elogiada por Gal Costa, Maria Bethânia e Caetano Veloso, a baiana é uma das grandes apostas de 2018. Mas engana-se quem pensa que ela caiu assim de paraquedas nos ouvidos desses grandes da música popular brasileira. A cantora começou a sua carreira ainda na adolescência puxando trio pelo interior da Bahia, depois cantou em trilhas de peças de teatro, viajou o Brasil à frente do grupo Samba Dibanda e ainda fez muito sucesso na Bahia com o projeto “Illy Canta os Cem Anos de Caymmi”.  Outro projeto incrível dela é a websérie no YouTube, “Illy e a MPB de Todos os Sons”, onde já gravou mais de 30 vídeos ao lado de músicos como Chico César, Maglore, Caetano Veloso e Filipe Cordeiro cantando clássicos da música popular brasileira das mais diferentes vertentes:

Embora hoje esteja morando no Rio, Illy não esconde a influência de suas raízes no seu recém lançado disco de estreia “Voo Longe”, produzido por Alexandre Kassin e Moreno Veloso. O que mais surpreende no álbum é o caldeirão de ritmos brasileiros envolvidos (ijexá, bossa, jazz, samba, rock, pop marchinha), todos com um toque baiano, compostos por Djavan, Chico César, Arnaldo Antunes, Jonas Sá e outros. Um disco tropical, suave, que passa rapidinho como uma onda e fala sobre o trivial: o amor, as festividades, o cotidiano.

_ Lívia Nery

Lívia Nery é figura central nos bastidores da música baiana há um tempo. Ela trabalhou por anos como produtora em rádios locais, entrevistando os artistas que hoje são seus colegas de profissão. Antes de seguir a carreira como cantora, ainda trampou como produtora de som, até que lá por 2008 começou a escrever suas próprias músicas com mais frequências, essas que ficaram guardadas em seus blocos de nota até 2016, quando começou a ser requisitada pra participar de shows e trabalhos de amigos músicos.

Seja cantando, escrevendo ou fazendo beats, Lívia vem investindo desde então na sua carreira como cantora e, enfim, trocou os bastidores pelos palcos. Com apenas um EP lançado, intitulado “Vulcanidades”, a baiana já nos mostrou o seu potencial em humanizar beats, loops e samples de origem eletrônica com a sua voz doce, que faz alusão à cantoras do novo soul (Solange, Kali Uchis) e à nomes conhecidos da MPB (Gal Costa, Céu). O primeiro disco da cantora deve sair ainda esse ano e se pudéssemos adiantar o seu clima seria misterioso, psicodélico, sexy, como o seu EP de lançamento.

_ JosyAra

Destaque da atual cena baiana, JosyAra também não é um nome novo no rolê baiano. Com 26 anos, a cantora, compositora e instrumentista vem trabalhando há dez anos em busca de renovar a música de raiz nordestina. Com referências que vão desde clássicos como Gal Costa, Sérgio Sampaio e Belchior até contemporâneos como Giovani Cidreira e Grupo Pirombeira, Josyara promete disco novo no segundo semestre de 2018. Nele, a cantora pretende unir o orgânico, os ritmos do sertão com sonoridades universais e samples eletrônicos, plásticos, levados pelo violão: seu instrumento preferido. Tudo isso sempre fazendo referência à sua terra e a sua vivência como mulher, negra e baiana.

_ Luedji Luna

Foi exatamente a mudança de Salvador, lugar onde nasceu e cresceu, pra São Paulo, que instigou Luedji Luna à compor as músicas de seu primeiro disco: “Um Corpo no Mundo”, lançado em 2017. Ao chegar na maior metrópole do país, Luedji não se viu representada pelas pessoas, que na sua grande maioria eram brancas, diferente de Salvador, cidade com o maior número de negros fora do continente africano. Foi aí que ela começou a procurar pelos seus semelhantes. Por morar em uma região próxima à estação rodoviária, via diariamente imigrantes haitianos e africanos chegando na cidade refugiados e começou a pensar na sua própria história, de onde veio. Dessas reflexões nasceu seu primeiro disco, um álbum com influências do jazz, da música popular brasileira e africana, principalmente angolana, que reflete sobre a importância da identidade e que questiona o lugar da mulher negra no mundo. Um disco essencial!

_ Larissa Luz

“Nem vem como quem quer fazer de mim ninguém / Eu sou uma mulher livre de sina e da obsessão / Eu sou o que quiser“: é assim que a baiana Larissa Luz abre a faixa título do seu segundo álbum “Território Conquistado”, lançado em 2016. Deixando claro logo de cara o propósito do seu último trabalho: empoderar mulheres negras. Ela ainda deixou um texto emocionante no seu site falando sobre o disco: “Aqui estão fragmentos de mim. Reuni pedaços de um universo feminino que está aí fora e aqui dentro. Este disco é um relato de um processo contínuo de conquista de espaço. Um depoimento musicado de meu íntimo despido em desejos, confissões, sentimentos e questionamentos cotidianos. É um sorriso atento e instigado. Uma celebração de nós : mulheres negras, senhoras de nossas histórias”, conta ♥

E que celebração: cada uma das dez músicas do disco carrega referências que vão desde o cinema negreiro, presente na letra de “Nollywood”, até a escritora Carolina de Jesus, em “Letras Negras”, até passagens que lembram símbolos da luta negra como a cantora Nina Simone. Tudo isso misturado à ritmos como o trap, o dubstep, o rap e o rock. Larissa, LUZ!

Todas essa minas, você ouve na Youcom Apresenta, no nosso canal do Spotify:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *