Já parou pra pensar que músicos também são escritores? Você pode não acreditar de primeira, mas música e literatura tem TUDO a ver. Uma forma de unir essas duas artes são os álbuns conceituais.
Mas que raios é isso? São discos em que todas as faixas giram em torno de um mesmo tema. Eles são igualzinhos a um livro: a medida que as músicas vão passando a temática começa a ser explorada através de personagens, clímax e até mesmo de um final! O Pink Floyd ficou MUITO conhecido por álbuns desse tipo. O clássico “Dark Side Of The Moon” segue tanto essa vibe que inspira uma teoria conspiratória que jura de pé juntos que o álbum foi feito em cima do filme/livro “O Mágico de Oz”.

DARKSIDE

Poderíamos ficar citando aqui clássicos do estilo que vão de David Bowie até The Who, mas queremos te apresentar discos que apostamos que você ADORA, sabia que eram diferentes, mas não conhecia a história deles:
1. “Supermodel”, Foster The People
Quem diria que por trás do som SUPER animado do segundo disco do Foster The People estão letras ácidas e muitas vezes até raivosas? “Supermodel”, de 2014, é uma crítica ao capitalismo e a negatividade, a depressão e a falsidade que os valores desse sistema geram na sociedade que a gente vive hoje.
“Quantas curtidas ou retweets ganhei por essa postagem?”, “Quantos seguidores tenho e porque isso importa tanto?”, “Como devo sair de casa hoje?” são algumas das perguntas que os caras fazem quando você está ouvindo o disco. É, acho que você nunca mais vai ouvir esse álbum com os mesmos ouvidos…

SUPERMODEL

2. “Illinoise”, Sufjan Stevens
Em 2003, o Sufjan Stevens já havia lançado o álbum “Michigan”, inspirado no Estado americano. Eis que um ano depois ele teve a ideia de fazer um disco sobre TODOS os 50 distritos dos Estados Unidos. Óbvio que a ideia caiu… e o que sobrou foi uma homenagem LINDA ao Illinois <3
O cantor lançou um álbum contando a história do lugar através de personagens locais que vão desde Batman até Abraham Lincoln e contou casos folclóricos da cidade. Se você não conhece, tem que correr pra ouvir porque além de ter um conteúdo interessante, o disco é um dos melhores de 2005.

SUFJAN-STEVENS

3. “OK Computer”, Radiohead
Em 1997, o Radiohead já previa o que ia acontecer no século XXI. Eles escreveram sobre como a inclusão da tecnologia ia mudar a nossa noção do tempo. “OK Computer” foi construído em cima de livros como “1984”, do George Orwell, e “Admirável Mundo Novo”, do Aldous Huxley, que falam EXATAMENTE sobre esse futuro apocalíptico/incerto que vinha por aí.
E não é que mesmo sendo SUPER conceitual, o disco é um hino pra geração dos anos 1990? Hits como “Paranoid Android”, “Karma Police” e “No Surprises” fazem parte do clássico. Isso prova que nem todo álbum conceitual, não é comercial.

OK COMPUTER

4. “The Suburbs”, Arcade Fire
Se o Radiohead tinha antecipado esse mundo MALUCO das ~tecnologias~, o Arcade Fire confirmou esse contexto em 2010. “The Suburbs” fala sobre esse ambiente onde a vida se torna cada vez mais apressada.
Ao invés de focar nas metrópoles, a banda foi no caminho inverso: explorou os subúrbios que ainda cultivam hábitos que estão se perdendo. Resumindo: os caras falam do passado, pra apresentar o presente. Genial!

THE-SUBURBS

5. “Electra Heart”, Marina And The Diamonds
Em 2012, Marina And The Diamonds lançou um dos álbuns mais GENIAIS dos últimos tempos: “Electra Heart”. O disco foi construído para representar o “sonho americano”. Pra apresentar aos fãs o conceito, Marina usou um tumblr (http://electraheart.tumblr.com/) e começou a divulgar vídeos que junto com os clipes deixariam claro o álbum.
Um dos conceitos que sustentam o disco são as personagens que a cantora criou: Su-Barbie-A, Primadonna, Homewrecker e Teen Idle. Ela explica tudo aqui:

O mais legal dessa VIAGEM da Marina é que ela não precisou colocar diálogos ou ruídos entre as músicas pra contar a história. Ela usou o Tumblr, o Youtube, os shows e as entrevistas pra que o disco fosse além dele próprio. Não tem como não se interessar 🙂

6. “…And Star Power”, Foxygen
“… And Star Power” é um álbum de VINTE E QUATRO músicas divido em cinco partes: “The Hits”, “Star Power Suite”, “The Paranoid Side”, “Journey Through Hell” e “Hang on To Love”.
Já dá pra perceber que de convencional ele não tem NADA! De fato, o disco é metade do Foxygen e metade de uma banda intergaláctica chamada Star Power que invade o álbum. O resultado é nonsense mesmo, mas o que dava pra esperar dessa junção além disso? No fim, é divertido ver como as duas bandas falam entre si e ainda rolam sons INCRÍVEIS como “How Can You Really?” e “Coulda Been My Love”.

FOXYGEN

7. “The Hazards Of Love”, The Decemberists
Primeiramente, o The Decemberists ia fazer uma música inspirada no EP “The Hazards Of Love”, da Anne Briggs. Eis que as composições deram mais pano pra manga e o material foi usado pra um disco inteirinho. O álbum conta a história de amor entre Margaret e William. Ainda tem a mãe ciumenta do William e o vilão Rake.
Diferente dos outros discos citados, não é difícil que você já tenha ouvido esse e tenha percebido que ele conta uma história. Isso porque rola uma voz pra cada personagem.

THE-HAZARDS-OF-LOVE

E aí, qual história você mais gostou? Deixa nos comentários 🙂

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