Falar que o Coachella é um dos festivais mais incríveis do universo pode soar até redundante pra quem curte música, mas nesse ano em específico, a organização do evento se puxou pra fechar um line up de peso. Muitos veículos especializados no tema elencaram esse como um dos melhores dos últimos anos e não foi à toa. A escalação dos artistas agradou gregos e troianos: passando pelo hip hop, flertando com a música pop e eletrônica e legitimando o estilo que fez os festivais existirem: o rock.

Os headliners deixaram esse lado eclético do festival bem claro. No primeiro dia tivemos o rock explosivo do Radiohead. Na segunda noite, Lady Gaga fez um show energético e honrou Beyoncé, que teve de ser substituída no line up pela little monster devido ao estado avançado da gravidez. Pra fechar o final de semana com chave de ouro ainda vimos um show incrível do rapper Kendrick Lamar, que mandou várias músicas do recém lançado e hypado DAMN.

E isso foram só os headliners principais. Outras bandas que AMAMOS passaram pelo festival e deixaram a sua marca. Lorde, The XX, Justice, Nicolas Jaar e Father John Misty, por exemplo, ficaram no top 5 de uma galera que foi no festival ou na listinha de melhores shows de quem fez pipoca e virou o final de semana assistindo pelo YouTube – como a gente. Que bom que o @isthisreal, fotógrafo que estava pela Califórnia, invadiu o nosso insta e nos mostrou mais de pertinho o primeiro final de semana do festival. Chegou a dar uma olhada?

Além dos shows confirmados no line, também fomos surpreendidos pelas collabs, que todos os anos nos pregam uma peça, no ano passado até fizemos um post sobre isso. DJ Snake convidou a incrível Lauryn Hill pra cantar clássicos dos Fugees nos anos 1990 como “Ready or Not” e “Killing Me Softly”. Future levou Drake. Schoolboy convidou A$AP Rocky e Tyler, The Creator pro seu show. Kaytranada quebrou tudo ao lado de GoldLink. Nav deu espaço pra The Weeknd. Bom, e paramos por aqui, porque se citarmos todas as collabs incríveis desse ano, não acabamos esse post hoje. Bom, vamos então pros achados do line desse ano? 

1. Sampha

Nem desconfiávamos, mas o britânico Sampha Sisay, que chamou a nossa atenção na tarde de sexta-feira, é um velho conhecido nosso. Antes de lançar o ótimo “Process”, em fevereiro desse ano e ser escalado pro line do Coachella, ele já havia colaborado com Solange, Frank Ocean, Kanye West, Drake e SBTRKT.

Como podemos perceber por tantas feats, a voz do britânico é o forte da sua carreira. No trabalho solo, ele explora ainda mais esse elemento. Acompanhado de uma banda com dois teclados e uma bateria, ele lança CADA falsete, que até a Melody ia invejar! Por trás das camadas de sintetizadores, Sampha, no fundo, é um fã do soul old-school. E a gente adora essa mistura do tradicional com o novo.

2. Chicano Batman

Freedom Is Free é um dos discos mais criativos e interessantes de 2017 até o momento. O álbum criado pela Chicano Batman, banda de Los Angeles com raízes latinas, traz uma mistura de soul psicodélico, surf music e referências à Tropicália brasileira dos anos 1960 e 70. 

Nós estávamos doidos pra ver esse disco ao vivo e assim como a improvável mistura de sonoridades do álbum, o show do Coachella também foi pra lá de surpreendente. A começar pelo figurino: a banda usou, como de costume, smokings azuis. O problema é que eles estavam no meio do deserto escaldante da Califórnia, mas, confessamos, que seguraram o look naquele calorão infernal. A vibe do show combinou perfeitamente com o clima de tarde e deixou todo mundo com as energias renovadas pro resto do festival.

3. The Lemon Twigs

O show da Lemon Twigs foi um dos mais aguardados do Coachella. Pra quem não sabe, a banda surgiu faz pouco tempo e logo de cara, antes mesmo de ter um disco, se apresentou no programa do Jimmy Fallon. O grupo é formado pelos irmãos Michael e Brian D’addario, que tem apenas 20 e 18 anos, respectivamente. No entanto, a pouca idade da banda não reflete no som deles que é repleto de referências que vão da surf music dos Beach Boys, passando pela psicodelia dos anos 1960, o pop melódico e o glam rock dos anos 1970. 

No show do Coachella, eles apresentaram as músicas do seu primeiro disco “Do Hollywood”, que foi lançado em outubro do ano passado. Não bastasse a apresentação energética, eles contaram ainda com um convidado: Todd Rundgren. Um dos artistas preferidos da banda, que cantou a icônica “Couldn’t I Just Tell You”, de 1972.

4. Mitski

Alanis Morissette, Bjork, PJ Harvey: junte essas referências musicais à letras confessionais, discussões sobre a vida sentimental e tormentas existencialistas e você saberá que o show da Mitski no Coachella não foi super alegre. E tudo bem. A cantora e baixista que nasceu no Japão, mas foi criada nos EUA, trouxe esse elemento bem undergound, com raízes do grunge dos anos 1990 pro festival.

Por problemas técnicos, o som esteve baixo durante vários momentos do show, mas a japonesa conseguiu colocar o seu power trio pra tocar da forma mais explosiva possível e quando dependeu só de Mitski, ela arrasou ainda mais. “My Body Made of Crushed Little Stars”, do disco Puberty 2, lançado no ano passado, foi tocada pela japonesa sem acompanhamento a banda e resultou em um dos momentos altos do show. Incrível!

5. Shura

Não faz muito tempo que colocamos a Shura na nossa lista de apostas pra 2017. A confirmação de que Nothing’s Real, primeiro disco da russa, é um prato cheio pra quem curte tanto um indie pop como um pop radiofônico e de que as músicas chicletes do álbum iam fazer everybody cantar a plenos pulmões veio nesse show do Coachella. Shura absorveu o melhor das suas referências (Madonna, Haim, Cindy Lauper) e acompanhada de uma guitarra e uma bateria transformou o festival em um pista de dança. Essa foi com certeza uma das apresentações mais up beats do festival, e nós adoramos.

6. Whitney

Light Upon The Lake é daqueles discos de ouvir no repeat e nem perceber que acabou. Passa rapidinho e deixa só good vibes, sabe? Pois o show da banda no festival foi parecido com o clima do disco e, olha, a Whitney até pode ser de Chicago e ter lançado o seu primeiro álbum no ano passado, mas eles transmitiram a vibe da Califórnia dos anos 1970 como ninguém fez nesse último Coachella. Meio Fleetwood Mac, meio Eagles. Letras fáceis, sonoridade levinha, tarde de sol. Foi memorável 🙂

7. Bishop Briggs

Foi difícil não se apaixonar por Bishop Briggs. A britânica tem todos os pré-requisitos pra se tornar uma diva do dark pop. O primeiro deles com certeza é o visual e a personalidade forte, que sacamos logo de cara, ao olhar pra ela. O segundo é a sonoridade original: uma mistura de hip-hop, música eletrônica, folk e rock, o que ela costuma chamar de trap soul. Pra completar, a voz dela encanta. Chegando tanto a timbres mais delicados quanto aos mais potentes. Florence Welsh, Lana Del Rey e Birdy que se cuidem, Bishop Briggs está chegando com tudo!

E aí, curtiu? Todos esses artistas já estão lá na Trending Topics:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *