Calma, para e respira: o primeiro semestre de 2016 tá prestes a acabar. Foram muitos textões no Facebook, tretas na balada, noites sem dormir estudando, matchs mal sucedidos… mas também rolou muita coisa boa. Na música, a gente não tem do que reclamar. Mais um primeiro semestre de ano passou, e nós tivemos que fazer uni-du-ni-tê pra escolher nossos lançamentos favoritos. Vem descobrir quais são os escolhidos:

1. Lemonade, Beyoncé

Em fevereiro, a Beyoncé lacrou com o lançamento de “Formation”, primeiro single do “Lemonade”, que tem clipe e letra sobre empoderamento negro feminino. Acontece que o vídeo era só a ponta do iceberg de um trabalho bem mais profundo…

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Pop, mas complexo, “Lemonade” nasceu a partir de um mundo de detalhes, citações, personagens e histórias que dialogam diretamente com o passado e com o presente da cultura negra – que vão desde discursos históricos do Malcolm X até poemas da queniana Warsan Shire. Além de ser rico em referências no seu discurso, o sexto disco de Bey tem samples de músicas de tudo que é estilo (do rock do Led Zeppelin, passando pelo rap do Outkast e terminando no indie do Yeah Yeah Yeahs e do Animal Collective), foi escrito por mais de 15 compositores e reserva convidados especiais incríveis e surpreendentes (Jack White, The Weeknd, Kendrick Lamar, James Blake). Se não bastasse TODAS essas camadas e referências, o dico ainda é um álbum visual, acompanhado de um curta-metragem de 60 minutos. Tem como não amar? 🙂

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2. Anti, Rihanna

Quem estava esperando que “Anti” fosse um álbum cheio de hits com refrão chiclete, batidas de EDM pegajosas feitas por Calvin Harris e David Guetta, e singles bombásticos como foram “FourFiveSeconds” e “Bitch Better Have My Money” no ano passado, se decepcionou com o novo álbum da Rihanna.

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“Anti”, como já anuncia no nome e na capa artística, é um disco de ruptura, que vai contra tudo o que a RiRi já faz na sua carreira. No álbum, a cantora deixa de lado as faixas comerciais e dá lugar pra músicas com letras mais intimistas e até sombrias. Além disso, Rihanna não poupou a voz no disco, explorando super esse recurso, como em “Kiss It Better”, uma das músicas mais legais da carreira dela. “Anti” pode não soar como a velha Rihanna, mas nós amamos essa nova face da musa. Dá uma chance você também!

3. Tropix, Céu

Se você não curte MPB tradicional, “Tropix” (união das palavras Tropical+Pixel) é uma chance de mergulhar no estilo. Unindo referências do pop eletrônico com ritmos brasileiros, o quarto álbum da Céu consegue agradar até mesmo quem não é apaixonado por música brasileira.

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Não tem mistério: o disco é feito de canções de amor, da delicadeza na voz da Céu e de um clima aconchegante noturno, sintético, que faz qualquer um se apaixonar. Esse é um daqueles discos leves, que passam rápido, e que, quando chega no fim, deixam como legado uma pergunta: como algo tão simples pode ser tão lindo? Pra descobrir, só ouvindo.

4. 99.9%, Kaytranada

Louis Levin Celestin, o nome por trás do Kaytranada, está entre nós já faz um tempo. O cara produziu nomes como Azealia Banks, Katy B e The Internet nos últimos anos, além de remixar M.I.A. e Disclousure. Mas, foi só em 2016, que nós conhecemos Celestin como artista solo. E, olha, a gente só fica pensando por que não foi antes…

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“99.9%”, o début do canadense, tá matador! Com participações especiais que vão dos jazzistas BadBadNotGood e Karriem Riggins até o pop de AlunaGeorge e Little Dragon, o álbum ainda dá espaço pra MPB de Gal Costa. Isso mesmo! Celestin usou um sample de “Pontos de Luz”, música lançada em 1973 no álbum “Índia”, como sample na linda “Little Spots”. Vale MUITO a pena ouvir 🙂

5. Malibu, Anderson Paak

Já faz tempo que a Califórnia não é lembrada só pela surf music. Nos anos 1990, o rap do N.W.A. apresentou Compton para o mundo. Hoje, Anderson Paak se beneficia do legado do disco em “Malibu”, um dos melhores álbuns de 2016.

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Em 2014, o americano já tinha usado a ~califa~ como cenário pra “Venice”, seu primeiro álbum, mas não foi nada comparado às histórias pessoais, personagens e conflitos de Los Angeles que fazem os versos do seu novo disco. O álbum é riquíssimo em histórias, mas também no som, que foi fortemente influenciado pelo incrível “To Pimp a Butterfly”, do Kendrick Lamar.

“Malibu” rendeu uma super atenção da mídia, que cobriu exaustivamente Paak por onde ele passou esse ano. E que bom, porque as apresentações dele no SXSW e no Lollapalooza foram brutais! Quando será que ele vem pro Brasil?

6. A Moon Shaped Pool, Radiohead

O Radiohead ficou quatro anos longe dos palcos, mas definitivamente não desaprendeu, nesse meio tempo, a brincar com nosso coração quando o assunto é lançamento. No ano passado, Thom Yorke declarou que a banda iria voltar à ativa e que os shows da turnê de 2016 já estavam sendo marcados, mas sem nada de anúncio de data de lançamento do novo álbum.

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De repente, na madrugada de 3 de maio, a banda lançou na sua página do Facebook “Burn The Witch”, primeiro single de “A Moon Shaped Pool”. Até o lançamento no dia 8 de maio, pouco se sabia sobre o álbum. E quando ele veio, das 11 faixas, pelo menos seis era conhecidas pelos fãs. “Burn The Witch”, por exemplo, tem pedaços da letra publicados na contracapa do álbum “Hail To The Thief”, de 2003. Mas ninguém se importou com o fato das músicas não serem completamente inéditas: os novos arranjos e facetas da banda fizeram o álbum atual e interessantíssimo. 

7. HOPELESSNESS, Anohni

“Hopelessness” já avisa no título que não é um álbum feliz. Quem conhece o trabalho de Antony and the Johnsons sabe que o artista sempre falou sobre a tristeza nos seus trabalhos. Agora, com o projeto ANOHNI, primeiro depois que assumiu nova identidade de gênero, o papo não é diferente.

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Falando em primeira pessoa sobre problemas pessoais como o arrependimento, o abandono e a traição, e também sobre questões mundiais como o preconceito, ANOHNI mostra que a música deprê também pode ser belíssima. Com beats que conseguem fazer com que a gente respire no mar de letras densas do álbum, “Hopelessness” se constrói como um álbum de altos e baixos. Daqueles álbuns-terapia, que fazem a gente rir, chorar e sair de alma lavada na última track.

Deixa nos comentários os seus favoritos? Dá pra ouvir um spoiler de todos os álbuns na Rádio Youcom 🙂

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