Já foram os dias em que os artistas guardavam a sete chaves o segredo do sucesso. As revistas de fofoca podem continuar criando intrigas, mas o fato é que nunca vimos tantos feats sendo feitos como agora. A indústria fonográfica está cada vez mais ligada na tendência do co-branding ou cross branding, que nada mais é que unir marcas (sim, artistas são marcas) que combinem, tenham uma conexão, e aproximem os públicos de ambos, entre outras vantagens.

Anitta é a prova viva de que competição entre artistas não faz mais sentido. Ela alavancou a sua carreira internacional assim. Fez parceria com Maluma, Iggy Azalea, Major Lazer, Pabllo Vittar e agora com Poo Bear. No mesmo embalo, ficamos de olho em outras parcerias que fizeram nossos olhinhos brilhar nesse segundo semestre, elas são:

1. Liniker & Johnny Hooker

Liniker e Johnny Hooker são dois expoentes da geração tombamento, que mete o dedo na ferida, que levanta bandeiras e acredita que a música, assim como o mundo, deveria ser um lugar mais respeitoso e inclusivo para as minorias. E não iria demorar muito para que a força do discurso destes artistas se unisse. Em 2016, eles já haviam nos deixado com esperança quando cantaram juntos “Você Ainda Pensa?”, single de Johnny, no festival Rec-Beat, em Recife. Pois em 2017, veio, enfim, a parceria: a linda “Flutua”, do disco Coração, de Johnny. Poderíamos citar toda a letra da música aqui, que fala sobre a luta de um casal gay pra poder amar quem quiser amar, do jeito que quiser amar, sem julgamentos. E, ah, o melhor: eles se apresentam juntos no Rock In Rio. Fica de olho!

2. Rod Stewart & DNCE

Não é só de nomes atuais que o co-branding se alimenta. Recentemente, “Do Ya Think I’m Sexy”, que estourou globalmente em 1978, e até hoje é considerada a música mais animada da carreira do Rod Stewart, ganhou uma nova versão ao lado da banda DNCE. Isso mesmo, aquela que tem o Joe Jonas nos vocais. E não é que a versão “moderna” do som ficou tão chiclete quanto a setentista? Ela tem toda a energia da original misturada a uma pegada meio “Uptown Funk”. A parceria deu tão certo que as bandas foram chamadas para estrear a música no Video Music Awards (VMA) da MTV. A performance foi gravada num cassino e ficou demais, olha só:

3. Kurt Vile & Courtney Barnett

Se você curte rock, principalmente o mais sujinho, inspirado nos anos 1990, já deve ter ouvido falar na Courtney Barnett e no Kurt Vile. Eles ganharam os holofotes nos últimos anos com seus lançamentos. Courtney alavancou a sua carreira com o lançamento do disco Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit, lá em 2015, e Kurt passou a chamar mais a atenção do público depois que deixou o The War On Drugs e partiu para a carreira solo, que rendeu dois álbuns bem legais: Walking On a Pretty Daze, de 2013, e B’lieve I’m Going Down, de 2015.

Eis que pra nossa alegria, esses dois talentos resolveram se unir esse ano pra uma turnê e ainda um disco conjunto: Lotta Sea Lice, que sai em outubro. O primeiro single do álbum já saiu e se chama “Over Everything”. Sem exageros, a simbiose dos dois é tão grande que se a música fosse incluída no disco sem indicação de feat, a gente saberia quem está cantando com quem ou ainda nem perceberíamos, de tão parecidos que eles são. No clipe, eles até brincam de cantar um a parte do outro. Coincidência ou matéria do destino, Kurt e Courtney carregam os mesmos nomes do casal icônico do grunge dos anos 1990: Courtney Love, do Hole, e Kurt Cobain, do Nirvana. Vish, será que isso quer dizer alguma coisa?

4. Flaming Lips & Mac DeMarco

Desde os anos 1990, o Flaming Lips é conhecido pela sua loucura. Os arranjos psicodélicos e cheios de camadas da banda, as letras viajantes com nomes bizarros e os shows com projeções complexas, roupas de animais e bonecos pra lá de assustadores ajudaram a construir essa fama de “esquisitos” da banda. E, consequentemente, tornou-a uma das bandas mais importantes do rock psicodélico atual.

Outro maluco que surgiu nos últimos anos é Mac DeMarco. Ele é conhecido por fazer mosh nos shows, ficar deitado no chão enquanto canta, isso sem falar nas próprias músicas que tem um pé na psicodelia e nas ideias, no mínimo, peculiares pro lançamentos dos seus discos. Em 2015, por exemplo, ele lançou o álbum instrumental Some Other Ones, que apelidou de “trilha sonora para churrasco”. Mais tarde, na noite do mesmo dia, lançou um outro álbum Another One, em Nova York, e convidou seus fãs pra irem na sua casa comer hot dog. Se quiser saber mais sobre ele, tem esse documentário aqui:

Eis que essas duas gerações de malucos se uniram pra fazer uma turnê juntas e viajar demais (você escolhe o sentido da viagem deles). Além da tour, eles prometeram um EP conjunto onde cada artista gravará três músicas do outro para o registro que vai sair em vinil e K7. Demais, né? Esses shows vão ser malucos.

5. Céu & Boogarins

Outra junção deste segundo semestre que shippamos demais foi a da Céu com os Boogarins. Essa união, diferente das outras, não foi nem um pouco provável, mas deu pra lá de certo. Quando que nós iríamos pensar que Céu, rainha da MPB, que, tá bom, até inseriu uns synths mais eletrônicos no seu último e incrível álbum Tropix, iria fazer um feat com o Boogarins, a banda de rock progressivo psicodélico mais pirada do Brasil atualmente? Pois bem, eles uniram o útil ao agradável. Regravaram a faixa “Foi Mal”, que saiu em Lá Vem A Morte, e tem um vocal doce, delicado, que combina muito com ela. Dito e feito, ficou demais! E quem tiver a chance de ver pela TV ou ao vivo, eles irão se apresentar juntos no Rock In Rio desse ano, no dia 15 de setembro.

6. Karol Conká & Bomba Estéreo

Outra união legal, que veio do Rock in Rio, foi a da Bomba Estéreo com a Karol Conká. Pra quem não conhece, a Bomba Estéreo é uma banda colombiana bombástica, como já diz o nome, que tem o poder de colocar o clima lá em cima com a sua cumbia eletrônica pra lá de dançante. E não é que a Karol também tem esse efeito furacão aqui no Brasil? Então, dessa parceria só podemos esperar tombamento geral, quero ver quem vai conseguir ficar parado.

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