Se te perguntassem que músicos latinos você curte, o que você responderia? Não vale Shakira. Se você ficou sem saber o que responder, toca aqui! Até pouco tempo atrás, a gente falaria o mesmo. É muito triste ver que muitas vezes nós até escutamos artistas dos nossos países vizinhos, mas nem sabemos que eles são de lá ou até mesmo desconhecemos a cultura local, que é riquíssima.

A questão é que as bandas indie latino-americanas até podem estar representadas em letras pequenas nos line ups dos grandes festivais, mas não na nossa playlist. A cena alternativa dos nossos países vizinhos merece atenção. Para dar um empurrãozinho inicial, que tal conhecer bandas indie latinas que tem tudo a ver com a Youcom?

1. Kali Uchis

Junte as referências vintage dos vídeos de Lana Del Rey com os vocais expressivos de Amy Winehouse e a produção de nomes como Diplo, Tyler The Creator e BADBADNOTGOOD. Conseguiu? Bom, depois de criar esse som na nossa imaginação, fica até difícil de conceber que ele pode existir. Mas,  existe, e tem nome: Kali Uchis.

Kali

A colombiana, natural de Pereira, mora nos Estados Unidos desde os 7 anos de idade e ainda no colegial aprendeu a tocar saxofone e piano. No ensino médio, começou a editar vídeos e produzir músicas. Em 2012, depois de compor, produzir, gravar e lançar de forma independente a mixtape “Druken Babble”, a garota chamou a atenção de gente grandona como Snoop Dog, A$AP Rocky e Diplo.

E foi dito e feito: em pouco tempo a colombiana estava instalada em Los Angeles, respirando o mesmo ar que as suas maiores influências respiraram lá nos anos 1960. Resultado: o EP, “Por Vida”, cheio de sons energéticos, modernos e ao tempo nostálgicos, que entrou rapidinho pra nossa trilha sonora 🙂

2. Natalia Lafourcade

Depois de fazer uma participação especial no MTV Unplugged da Julieta Venegas, em 2008, o rostinho de Natalia Lafourcade girou o mundo. A mexicana de 32 anos, que já tinha 3 trabalhos no currículo, ganhou visibilidade e nossos <3.

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Com uma voz doce e músicas ensolaradas, Natalia lembra bastante nomes do twee-pop como Feist, Camera Obscura e Zooey Deschanel. “Hasta La Raíz”, último álbum da mexicana, foi lançado no ano passado e tá querendo deixar o seu dia mais doce. Dá uma chance pra ele? 🙂

3. Tei Shi

Da nova safra de artistas nova-iorquinos, Valerie Teicher, a líder do Tei Shi, ocupa um lugar privilegiado na nossa playlist. Mas, pera, esse post não é sobre artistas latinos? Sim. A Valerie mora no Brooklyn, em Nova York, mas nasceu em Buenos Aires, na Argentina, e já morou em Bogotá, na Colômbia, e em Quebec, no Canadá.

tei shi

“Saudade”, dá nome ao primeiro EP dela, de 2013. A escolha do nome do disco diz muito sobre a veia multicultural da cantora. Pra quem não sabe, a palavra só existe em português e é dificilmente traduzida para outros idiomas. Além da saudade estar concretizada no nome, essa parece também fazer parte dos dois EPs da argentina. O soul com tons de pop, que se mesclam ao R&B atual e a ritmos dançantes dos anos 1980, que são amados na Argentina, fazem o trabalho da cantora único e minimalista.

SPOILER ALERT: fãs de Glass Animals, a Valerie faz participação em “Holiest”, do álbum “Gooey”.

4. Ibeyi

Em iorubá, Ibeyi quer dizer “irmãos gêmeos”. Na música, a palavra dá nome à dupla formada pelas irmãs gêmeas Lisa-Kaindé e Naomi Diaz. Elas nasceram em Paris, na França, mas foram criadas em Havana, em Cuba. As garotas são filhas de um cubano com uma venezuelana-francesa.

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“Ibeyi”, début da dupla, é multicultural da primeira até a última faixa. Cantado ora em inglês, ora em iorubá, o disco ainda traz influências do jazz cubano, da soul music americana e de ritmos venezuelanos. Não é a toa que o Damon Albarn, do Blur, apadrinhou o projeto, ele é simplesmente riquíssimo em referências!

5. Cineplexx

Entender o Cineplexx passa por saber quem é Sebastian Litmanovich. O artista nasceu em Buenos Aires, mas hoje mora em Londres. Antes de parar na capital britânica, ele viveu 8 anos em Barcelona e mais alguns outros em Nova York.

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Não é só na vida (quase) nômade que o argentino surpreende. Na música, ele é influenciado por bandas que vão de The Velvet Underground até ABBA. Tanta referência, de tanto lugar diferente, já rendeu 9 discos solos produzidos por ele e uma série de participações em álbuns de amigos.

O último disco do Sebastian é de 2014, se chama “Florianopolis”, e apresenta um indie pop eletrônico, daqueles de dar o play e não conseguir ficar parado, legítimo de qualquer festa! Em músicas como as tropicais “Rio Amor” e “Isla Tropical” ainda é possível distinguir ritmos brasileiros. Esse disco tá uma delícia 🙂

6. Astro

É comum que nós (latinos) absorvamos tanto as referências da gringa que, quando vamos produzir, nosso som fique idêntico ao resto do mundo. A questão é que quando um artista consegue unir o electro-rock americano com referências locais, por exemplo, as músicas ficam bem mais interessantes.

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É isto que acontece com a Astro. A banda do Chile canta em espanhol e tem como ritmo principal o electro-rock, mas sabe dosar muito bem os sintetizadores com o idioma espanhol e ritmos caribenhos. É tão bom que o último disco da banda, “Chicos de La Luz”, voou do Chile pro mundo inteiro. Foram shows no Lollapalooza Chicago e no Primavera Sound.

Curtiu as bandas? Para ouvir as músicas que tocam nas Lojas Youcom, dê play na nossa Rádio.

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