A mídia e as redes sociais nunca debateram tanto o espaço das minorias na política, na publicidade e até mesmo na própria imprensa. Agora, você já parou para pensar de que forma as pautas LGBTs, de combate ao racismo e de gênero estão inseridas na música atualmente? Se pararmos para pensar que música é expressão e que tudo o que os grupos que lutam por bandeiras ligadas às minorias necessitam é de visibilidade, o fato de um artista unir a sua forma de arte com questionamentos ligados à estes movimentos é muito importante e empoderador!

Recentemente, a Beyoncé deu um exemplo de como música e feminismo podem andar lado a lado. A cantora, que canta sobre o tema desde os anos 90, como em “Survivor”, do Destiny’s Child, quebrou tudo ao lançar em abril “Lemonade”, um álbum repleto de músicas que invocam o empoderamento das mulheres negras. Além disso, Bey utilizou um dos horários mais nobres da televisão mundial, o intervalo da final do Superbowl, para promover mensagens feministas. Arrasou <3

Beyoncé

Não tem como negar que Beyoncé e outros artistas gringos são símbolo da luta por um mundo mais plural, mas hoje nós vamos fazer diferente. Ao invés de olhar para fora, nós vamos olhar para dentro. Afinal, quais são os movimentos artísticos que estão transformando o Brasil?

Nesse sentido, a geração tombamento é um exemplo atual pela busca da quebra de paradigmas de gênero e padrões estéticos no Brasil. Munidos de muita cor, glitter e, enfim, um visual que transparece a atitude do seu discurso poderoso e “tombador”, Liniker, Karol Conká e Jaloo tem levado a sua mensagem para o mainstream brasileiro. Vem conhecer o que eles tem a dizer:

1. Liniker 

Com 23 anos de idade, Liniker se apresenta como “preto, bicha e periférico”. Não sabe definir muito bem o que é além disso. Mas quem sabe? Pra ele, ser homem ou mulher independe. O cantor entende que quanto menos rótulos carregarmos e mais fora dos padrões vivermos, mais felizes seremos. E parece que esta “fórmula da felicidade” do paulistano tem funcionado.

Dono de letras leves e de um vozeirão grave que lembra ídolos da soul music nacional como Toni Tornado e Tim Maia, Liniker estourou com o EP “Cru” – chegando a 1 milhão de views na semana do lançamento. Hoje, as 3 músicas hospedadas pelo artista no YouTube somam mais de 4 milhões de views, e proporcionam que ele faça turnês pelo Brasil inteiro levando a sua mensagem sobre identidade de gênero adiante 🙂

Liniker

Também se apaixonou pelo Liniker? Você pode continuar lendo sobre esse lindo na entrevista que fizemos com ele para o Blog da Youcom.

2. Karol Conká

Junto com Liniker, Karol Conká é outro expoente da geração tombamento que merece a sua atenção. A curitibana, que é mãe e rapper, se tornou um símbolo do movimento feminista negro na música ao empoderar mulheres com suas letras que falam sobre amor próprio e autoestima. Em 2015, Karol estourou com “Tombei”, hit em parceria com o Tropkillaz, e provou que qualquer mulher pode sim ser rapper, independente da cultura machista que, infelizmente, ainda é reproduzida de vez em quando no meio. E, pra quem pensa o contrário, ela manda um “peguei sua opinião, um, dois, pisei!”.

Karol Conká

O mais importante é que a Karol tomba além do visual e das letras. A rapper utiliza o espaço que ganha em entrevistas, programas de televisão de grande audiência e grandes shows para passar mensagens sobre igualdade de gênero. No Lollapalooza desse ano, por exemplo, ela lacrou ao chamar a MC Carol – funkeira, feminista e acima do peso – para debater com uma multidão sobre questões de padrões estéticos e feministas. E tudo com muita alegria! Como já diria Karol, “se é pra tombar, tombei”. Ela foi com tudo nesse dia:

3. Jaloo

Jaloo é mais um dos nomes da nova música brasileira que não tem medo de misturar (aqui tecnobrega com pop e outros tantos estilos) e que não constrói paredes para si e nem para a sua arte. Para quem não conhece, Jaime Melo, o Jaloo, ficou conhecido na Internet em 2010, quando começou a fazer versões de hits de divas como Amy Winehouse, Donna Summer e Gal Costa no YouTube. Depois de um ano de espera, o paraense conseguiu patrocínio para lançar o seu primeiro disco: #1.

Jaloo

Lançado pelo selo Skol Music e produzido pelo super Carlos Miranda, o disco veio à tona com músicas dançantes incríveis. Embora o Jaloo não se defina como um artista que milita pelas causas LGBTs, o artista não costuma utilizar pronomes nas suas letras e nem nos títulos de suas músicas, pois busca ser o mais coletivo possível no seu trabalho. Muito disto está ligado ao fato do cantor se considerar não binário, ou seja, ele não se identifica nem com o gênero feminino, nem com o masculino.

4. As Bahias e a Cozinha Mineira

Com pouca roupa, muita ousadia e um violão na mão, Gal Costa desafiou (e muito) o público ao cantar sozinha nos anos 1970. A atitude da baiana, que deu cara à Tropicália, hoje inspira o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira a lutar contra o preconceito. Formado por duas transexuais nos vocais, o trio é dono de um som que mistura samba, funk, axé, soul e rock, e que encantou todos nós no ano passado.

As Bahias e a Cozinha Mineira

“Mulher”, nome do álbum, faz questionamentos logo de cara. O primeiro diz respeito ao nome, claro. O segundo está na capa produzida pelo artista plástico Will Caga, que remete a símbolos femininos. A textura negra da pintura lembra um púbis, e questiona a ditadura da depilação. Mas não é só “por fora” que o álbum é rico em reflexões: “por dentro”, o disco traz letras que debatem questões de gênero e formas de intolerância como o machismo, o racismo e a homofobia.

Álbum

5. Rico Dalasam

“É o rapper que quebra tabus rimando”. Foi assim que Gilberto Gil descreveu Rico Dalasam, nome artístico de Jefferson Ricardo da Silva, primeiro representante do queer rap no Brasil. Rico vai muito além das palavras de Gil. Para começar, o seu próprio nome já diz muito: “Dalasam” vem da abreviação da frase “Disponho Armas Libertárias a Sonhos Antes Mutilados”.

O slogan tem tudo a ver com o rapper. Por muito tempo, o paulista rimou em rinhas de MCs ao lado de nomes como Emicida e Projota, por exemplo. Porém, foi só em 2015 que Rico ganhou visibilidade para levar o seu queer rap adiante em programas de alcance nacional como Esquenta e Encontro com Fátima Bernardes.

RICO-DALASAM

Porta-voz de um discurso orgulhoso, Rico conta através de suas letras autorais como é ser jovem, negro, gay e morador da periferia de São Paulo. Utilizando como tema a hashtag #ofervoéprotesto, o rapper compartilha a sua visão do mundo através da alegria, do fervo e do ritmo pop. E o melhor: o primeiro disco dele sai ainda esse ano e se chamará “Orgunga”, uma palavra em iorubá que significa a soma dos orgulhos negro e gay.

E aí, qual é o seu favorito? A gente não conseguiu escolher um só e pôs todos na trilha sonora das lojas Youcom. Pra ouvir um pouco do que rola nas lojas, ouça nossa rádio ou dá uma passadinha nas lojas e aproveita pra escolher um look tombante 🙂

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