Sair da zona de conforto não é fácil. Mesmo quando você está seguindo um caminho que está dando certo. Esses artistas estavam no caminho certo na música, mas mesmo assim se jogaram em novos projetos, se reinventaram e nos ensinaram que sempre é tempo pra seguir a si mesmo, pra inovar. Vem conhecer mais um pouco sobre eles:

1. LETÍCIA NOVAES

Letícia Novaes dedicou uma década ao Letuce, duo que criou ao lado do ex-marido Lucas Vasconcellos. Foram três discos lançados, shows por todo Brasil e no exterior, muita diversão e experimentação, disco financiado pelos fãs, participação em projetos musicais e, enfim, uma carreira bem encaminhada. Mas isso não impediu que Letícia, agora Letrux, seguisse a si mesma. Ela estava cansada de fazer as mesmas coisas, queria brincar com novos instrumentos, conhecer novas pessoas. Foi aí que surgiu Letrux, seu mais novo e INCRÍVEL projeto.

Transitando entre a tragédia e a comédia, o disco “Letrux em Noite de Climão” é autobiográfico, exagerado e não passa despercebido em uma festinha. É sobre dor de cotovelo, mas a parte do deleite, a parte cômica de estar na fossa. São sintetizadores retrô, batidinhas aceleradas que criam essa atmosfera digna de “climão”. E que clima bom, um dos discos mais surpreendentes do segundo semestre, e ele nem existiria se Letícia não tivesse saído da sua zona de conforto, se reinventado.

2. TIM BERNARDES

Eu quis mudar/ E isso implicava em deixar para trás/ Meu chão, meu conforto, o certo, a paz/ Eu fui a procura de mais – essa passagem de “Quis Mudar”, terceira faixa do primeiro álbum solo do Tim Bernardes,  fala bastante do lançamento desse projeto paralelo do paulista. E quando a gente diz paralelo, é paralelo MESMO. Já que o disco foi divulgado em meio ao lançamento do vinil de “Melhor do Que Parece”, do Terno, e de uma turnê incrível acompanhada por metais da banda.

Não é como se no trio, no qual ele lançou 3 discos bem recebidos pela crítica e público, Tim não tivesse espaço para explorar esse lado mais intimista, mais melancólico que protagoniza “Recomeçar”. Ele já tinha feito isso em músicas como “Volta” e “Eu Vou Ter Saudade”, mas queria mais. E foi além mesmo. Sozinho, compôs as letras e os arranjos do álbum, gravou todos os instrumentos, produziu, dirigiu e mixou o disco. Criou um álbum conceitual, com início, meio e fim. Expôs as suas memórias, as angústias e até mesmo as suas divagações em primeira pessoa. Criou uma trajetória que inicia com uma música instrumental, passa por vários temas dolorosos, mas lindos e pertinentes, e a terminou com “Recomeçar”. Afinal, “A dor do fim vem pra purificar/ Recomeçar”

3. FELIPE PUPERI

Felipe Puperi é produtor musical e dedicou 7 anos da sua vida à Wannabe Jalva. Nela, o gaúcho teve a oportunidade de participar do reality Superstar, tocar em festivais como Lollapalooza, Meca e Planeta Atlântida, fazer turnê nos EUA e abrir os shows de nomes como Jack White e Pearl Jam. Porém, agora, ele mira outros horizontes com o seu projeto solo: o Tagua Tagua. Na banda, diferentemente da Wannabe Jalva, ele compõe em português e explora elementos percussivos brasileiros, além de se inspirar no afrobeat, no rock e na música eletrônica pra criar um som único. Os dois primeiros singles do EP “Tombamento Inevitável” já estão disponíveis no Spotify e tão uma delícia. Ouve lá.

4. XÊNIA FRANÇA

“Outra mulher, outro fim, mesma dor” – nesse trecho de “Breu”, primeiro single do seu álbum solo, Xênia França homenageia Cláudia Silva, assassinada pela Polícia Militar do Rio de Janeiro em 2014. Não foi à toa que essa música foi escolhida pra divulgar o seu primeiro disco solo. Longe da banda Aláfia, na qual dividia o vocal com mais 2 colegas e a banda com mais 15 pessoas, a baiana achou no seu projeto solo um lugar para falar sobre as suas dores, empoderamento, racismo, ancestralidade e, é claro, o amor.


Para acompanhar as letras, Xênia escolheu ritmos ligados à cultura negra oriundos de diferentes partes do continente americano. No álbum, encontramos jazz, samba-rock, yorubá, R&B. E, apesar do disco ter como tema central o racismo e a identidade negra, a cantora quis trazer esses assuntos com delicadeza, de maneira doce. Segundo Xênia, tratar o tema dessa forma é subversivo porque quebra o estereótipo racista da “mulher negra forte e agressiva”. Pra isso, ela se inspirou muito no incrível “A Seat At The Table” da Solange Knowles.  Inclusive, a música “Respeitem Meus Cabelos, Brancos” conversa com “Don’t Touch My Hair”, ambas as músicas falam sobre como o cabelo pode ser usado, pelos negros, como ferramenta de resistência. No fim, “Xenia” é sobre ser mulher, negra, forte, mas também é sobre ser frágil e sobre uma afetividade que diversas vezes é negada às mulheres negras. Ouvir o disco é como olhar a cantora no espelho e conseguir enxergar nele todas as suas facetas, espelhadas, cruas. É emocionante demais ♥

Curtiu? Todos estes artistas estão na Youcom Apresenta, lá no nosso Spotify:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *