Já faz 31 anos que março se tornou um mês atípico para os habitantes de Austin, no sul dos Estados Unidos. A cidade, que é um ponto fora da curva no estado conversador do Texas, recebe desde 1987 o South By SouthWest (SXSW). De 9 à 18 de março, em torno de 300 mil mentes pensantes vão desembarcar na cidade pra debater sobre inovação, tecnologia, música, criatividade, entretenimento.


O evento é considerado um dos mais importantes encontros de inovação, tendências, economia criativa e tecnologia do mundo. Não é a toa que foi lá que empresas como Foursquare e Twitter foram lançadas. Porém, o que muita gente não sabe, é que o SXSW nasceu como um festival de música. E até hoje essa é uma das suas principais atrações. Neste ano, duas mil bandas, de mais de 60 nacionalidades diferentes, se apresentam no festival. Adicione essa agenda de shows às 50 palestras simultâneas que acontecem diariamente em Austin e ficará fácil de entender porque tanta gente que vai para o festival sofre de FOMO (“Fear Of Missing Out”, em tradução livre, “Medo de Perder Algo”). Mas, pera, nós selecionamos os artitas que devem ficar no seu radar // independente de você ir ao festival ou não, afinal, o SWSW é palco pra maioria das bandas que vão bombar no futuro. 

1. SUDAN ARCHIVES

Brittney Parks, nome por trás do projeto Sudan Archives, foi criada em Ohio, Estados Unidos, mas sua família é de origem sudanesa e é daí que ela tira sua inspiração sonora. Foi quando descobriu como o violino é tocado no nordeste da África que mudou completamente o seu som pra que ele se encaixasse nessas referências, criando assim uma mistura experimental de música eletrônica, soul, hip-hop, R&B e folk das mais inventivas dos últimos tempos. Por esses e outros motivos, o EP “Sundan Archives” (2017) foi destaque no The New York Times e na Pitchfork e, provavelmente, não sairá de Austin sem ser notado.

2. SYLVAN ESSO

Com uma voz doce que lembra outras cantoras indies incríveis (Anna Prior, Feist), Amelia Math dita a vibe e o espírito das músicas do duo Sylvan Esso, enquanto Nicholas Sanborn dá o tom e a base pra que a magia aconteça. E a dupla funciona bem assim: como uma simbiose entre o natural, delicado (voz) e o duro, mecanizado (synths, baixos fortes). Criando um misto entre a música eletrônica e o folk, eles estabelecem uma sonoridade gostosa, delicada, que passa por esses dois extremos sem recorrer ao que já vimos antes em ambos gêneros. É essa proposta que eles apresentam no SXSW e merece a sua atenção 🙂

3. SASSY 009

Se você acha que a música pop anda muito óbvia e a eletrônica sem alma, então você precisa conhecer a Sassy 009. O trio norueguês de Oslo é formado por três amigas da época do colégio e joga com o que tem de melhor: atitude, amor pela música e o que sabem sobre flauta. No último EP, “Do You Mind”, elas trazem um som místico, íntimo e minimalista que flerta com gêneros como house, pop, techno e experimental.

4. GERMANS 

Julia Kwamya nasceu em Baltimore, nos EUA, mas foi criada mundo à fora: já morou na Suécia, na Califórnia e hoje reside em Nova York. Embora, tenha crescido em cidades distintas, ela estabeleceu uma relação com a música na infância, como se fosse um lugar pra onde poderia voltar. Nas suas playlists, bombavam as músicas dos anos 1980 como clássicos cantados por David Bowie e Tears For Fears. Hoje, ela traz essas referências pra suas músicas que falam sobre términos, mas que, segundo ela, são “músicas pra que quem está na bad, passando por um término, se sinta feliz por isso, mais confortável com essa situação”. Tudo isso numa vibe BEM oitentista. Tem como não gostar? Fofa demais. 

5. PAPISA

Papisa é Rita Oliva. Cantora, compositora, instrumentista e uma das atrações brasileiras confirmadas no South By Southwest. A paulista que se apresenta pela primeira vez no festival americano não é um rosto novo em terras tupiniquins. Ela já fez parte de bandas como Cabana Café e também do duo Parati, mas desde 2016 vem se aventurando em Papisa. O projeto solo nasceu da vontade que Rita tinha de explorar as suas potencialidades como multi-instrumentista longe de uma banda, mas, sobretudo, de uma busca pelo feminino. Por isso o nome do projeto: Papisa vem da carta Sacerdotisa do tarô, que fala sobre uma mulher sozinha, receptiva, que carrega a sabedoria na sua própria intuição.

No seu primeiro EP, lançado pelo selo feminista PWR Records, ela traz muito essa questão da espiritualidade, do simbolismo, misticismo e dos elementos da natureza à tona. Com músicas que falam sobre instinto, intuição e ilusão e passam pelo rock psicodélico, o indie e o pop mais enérgico, Rita conseguiu criar um mundo somente seu. E quando a gente fala somente seu é porque é mesmo, afinal, foi ela que compôs, gravou e produziu todas as músicas do seu EP.

Além disso, um dos pontos altos de Papisa é o show. Uma experiência única onde a instrumentista se apresenta sozinha, munida de loopings e programações de beats, e nos convida pra mergulhar no seu mundo místico e incrível. Dez estados e festivais brasileiros como Bananada, Path e Sonora já receberam o seu show, e nós vamos acompanhar de pertinho ela lá no SXSW, fica de olho. 

Mas, pra encerrar, te deixamos as últimas dicas de artistas, que a própria Rita escolheu a dedo e pretende conferir no festival:

>> SALT CATHEDRAL 

Salt Cathedral é um duo formado por Juli e Nico, colombianos radicados no Brooklyn. que aliam ótimas melodias aconchegadas pelo pulso gostoso de batida eletrônica bem feita. Daqueles shows que dá vontade de dançar mesmo, vi em NY em 2015 e quero muito ver como está agora.

Pra quem curte: Tycho, The Whitest Boy Alive

Ouça: Always There When I Need You

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=5dnTspoLVrA

>> ANNA WISE

Cantora, compositora, produtora e performer que lançou seu trabalho solo depois de integrar a ótima Sonnymoon e colaborar com Kendrick Lamar. Com sonoridade que transita entre pop, indie, hiphop, tem um equilibro bacana entre delicadeza e agressividade, e apresentações criadas com loops e sample. Os lançamentos Feminine Act I e Feminine Act II evocam o poder feminino e arquétipos da deusa/ mulher, como na música Girl, Mother, Crone, temas com que me identifico bastante.

Pra quem curte: Lorde, Erykah Badu

Ouça: Precious Possession

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=wOsxFmuh-JE

>> SANGPUY 

Descendente de uma tribo indígena chamada Pinuyumayan, esse artista de Taiwan integra na arte a sabedoria ancestral que aprendeu na sua tradição, criando com música e voz um ambiente de conexão, paz e cura. São aspectos que busco na minha própria criação, e acho que a experiência de ver ao vivo deve ser bem tocante e uma aula por si só. 

Pra quem curte: Tinariwen, Ravi Shankar

Ouça: Verelruwan / Precious Nature

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=t-IJuAVDd7I

>> MNDSGN

Produtor americano com influência de música gospel, post-disco e R&B. Músicas cheias de ambiência e respiro, timbres elegantes com pitada de magia, produção lindíssima. Tive um caso de amor com o disco Yawn Zen de 2014 e estou animada para ver ao vivo. 

Pra quem curte: Tortoise, James Blake

Ouça: Camelblues

Assista: https://www.youtube.com/watch?v=_Dl4qkfdcWo

Curtiu os sons incados pela gente e pela Papisa? Segue, então, a nossa playlist lá no Spotify. E fica de olho no nosso Instagram pra conferir um dia com a Papisa lá em Austin 🙂

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