Se você leu o título e ficou se perguntando como isso é possível, a gente te explica: ao longo da história da música MUITO material foi perdido. No passado, álbuns inteiros foram parar no lixo por falta de tecnologia de armazenamento. Hoje, os motivos pro engavetamento de discos são outros e vão desde pura opção artística até disputa por direitos autorais. A real é que os fãs não estão nem aí pras razões que levam os seus artistas favoritos a mandarem pro espaço músicas que poderiam ter sido incríveis, o que a gente quer é ouvir esses trabalhos!

Recentemente, tivemos uma notícia positiva nesse sentido: depois de anos, a família do Kurt Cobain liberou as horas de gravações em fita cassete que ele acumulou ao longo da vida e em novembro uma coletânea será lançada com esse material <3

Reunimos nesse post 7 histórias de trabalhos que estão “perdidos” e também merecem um final feliz:

1. Amy Winehouse

Em 2011, a Island Records revelou que Amy Winehouse estava trabalhando em um terceiro disco junto com os produtores Mark Ronson (sim, é quem você está pensando!) e Salaam Remi. Infelizmente a cantora veio a falecer no mesmo ano e a gravadora se viu obrigada a trancar a sete chaves as 12 faixas que haviam sido produzidas.

Na época, o presidente do selo chegou a dizer que se alguém viesse a ouvir as músicas, ele mesmo se demitiria. O negócio é que a música “Procastinate” acabou vazando na internet. Quatro anos depois, o CEO da Universal UK, David Joseph, veio a público esclarecer que eles destruíram todo e qualquer trabalho inédito que restava da cantora: “Amy nunca teve a intenção de ter essas músicas ouvidas. Fizemos isso por respeito a cantora e seus familiares”. Será que é verdade dessa vez?

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2. Weezer

Depois da super estreia com o disco “The Blue Album” (1994), o Weezer resolveu que não queria mais fazer rock alternativo convencional. A ideia dos caras era criar uma ópera rock sobre ficção científica. O álbum se chamaria “Songs From The Black Hole” e seria na mesma ~vibe~ dos discos do Pink Floyd: com direito a história, personagens, músicas complementares e tudo mais que o rock psicodélico permite.

O trabalho chegou a sair do papel. Em 1995, a banda tinha as músicas praticamente prontas quando o vocalista Rivers Cuomo caiu na real e percebeu que aqueles sons obscuros não tinham nada a ver com o Weezer. Foi aí que a banda mudou de direção, rescreveu algumas músicas e descartou outras pra lançar o álbum “Pinkerton” (1996).

Mas o que aconteceu com o “Songs From The Black Hole”? Algumas faixas do falecido álbum viraram b-sides do Weezer, outras foram parar na carreira solo do Rivers Cuomo. O negócio é que as versões originais permanecem intactas em apenas três cópias de CD-R: uma está no arquivo pessoal de Rivers Cuomo e as outras duas estão com Karl Koch – amigo e roadie da banda na época. Bem que eles poderiam liberar geral, né? 🙂

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3. Klaxons

Acredite se quiser: os indie rockers do Klaxons já gravaram um disco folk. O episódio rolou em 2010 quando a banda estava apaixonada pelo gênero: “O disco ficou muito legal, o resultado nos deixou bem felizes. O problema é que não tinha nada a ver com o que somos como banda”, explicou o vocalista James Righton.

Por esse motivo, a banda resolveu descartar o álbum no qual eles estavam trabalhando há um ano e começar do zero. Imagina que mão? No fim, foi bom. Os britânicos contaram que o “Congratulations”, do MGMT, que foi lançado na mesma época, tinha ficado muito parecido com o álbum perdido deles: “O novo do MGMT não é ruim, mas não fez o mesmo sucesso que o primeiro porque não tem muito a ver com a banda. É o que teria acontecido com a gente”.

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4. Ryan Adams (The Cardinals)

O Strokes deu uma nova cara pro rock dos anos 2000 quando lançou o disco “Is This It” (2001). Pra homenagear a banda do amigo Albert Hammond Jr, Ryan Adams gravou uma versão blues do álbum. O problema é que ele só mostrou o cover pros colegas do The Cardinals. Enquanto isso, o guitarrista Albert Hammond Jr ficou chupando o dedo… e todos nós também. Será que é tão bom quanto o original? Difícil.

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5. The Strokes

Falando em Strokes… no hiato da banda entre o First Impressions Of Earth (2004) e o “Angles” (2011) muita coisa rolou. Teve projeto solo do Julian Casablancas, do Albert Hammond Jr e o surgimento do Little Joy. Mas o que teve mesmo foram MUITOS boatos sobre possíveis novos álbuns da banda!

No final de 2009, o vocalista Julian Casablancas e o guitarrista Nick Valensi finalmente se reuniram pra começar a escrever o quarto álbum do Strokes. A intenção era começar a gravar em fevereiro de 2010 os sons que eles descreviam como “uma mistura entre rock dos anos 70 e ~música do futuro~”. Pra isso, chamaram o produtor Joe Chiccarelli  que produziu o álbum e foi demitido.

Resultado: eles tiveram que gravar do zero e quem assumiu a produção foi o guitarrista Albert Hammond Jr. que descartou todas as músicas já gravadas! A única que sobreviveu pra contar a história foi “Life Is Simple In The Moon Light”, que está no Angles. Muita gente diz que o álbum é o pior do Strokes, será que essa outra versão é melhor?

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6. Grimes

Grimes é uma das artistas mais talentosas dessa geração. A canadense estourou em 2013 com o álbum “Visions” e não lança nenhum disco desde lá. Os rumores são que ela descartou um álbum depois de ter lançado a música “Go” (2014) e recebido um feedback negativo por parte dos fãs. Depois desse single ela ainda apostou no clipe de “Realiti”. A música era ótima, mas ela revelou que fazia parte do “álbum perdido”.

Depois de muita polêmica sobre o motivo dela estar engavetando o disco, a cantora se manifestou no Tumblr: “Eu não fiquei triste com a recepção. Eu não queria sair em turnê com esse álbum porque era muito ruim. Eu lanço música o tempo todo, eu tenho quase 1.000 GB de músicas inéditas no meu computador. Eu só quero que meu próximo álbum seja bom o quão for possível”. Falou tá falado! O bom é que o próximo álbum dela tá previsto pra outubro de 2015.

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7. The Ting Tings

“Shut Up And Let Me Go”, “We Walk” e “That’s Not My Name” colocaram o The Ting Tings no topo das paradas em 2008. Horrorizados pela ideia de ter que gravar um segundo disco tão bom quanto o primeiro, a dupla se refugiu em Berlim pra compor em 2010. Foram 8 meses de trabalho até que o primeiro single “Hands”, mixado pelo Calvin Harris, veio a público. O retorno dos fãs e da crítica foi ótimo e a música foi parar em diversas paradas, mas a dupla não tinha gostado do resultado: era pop demais pra eles.

E aí o resto é história: se trancaram de novo (agora na Espanha) e se cercaram de influências como Spice Girls, Beastie Boys e TLC até que em 2012 lançaram o disco “Sounds From Nowhersesville” onde conseguiram voltar pras “raízes”.

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1 minuto de silêncio pra todas essas histórias….

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