O Dia das Crianças está aí e mesmo que você não tenha mais idade pra receber presente, ainda dá tempo de lembrar dos velhos tempos onde a sua maior preocupação era esperar a hora da TV Globinho. Se você foi uma criança dos anos 1990 e teve que tomar muito leite Parmalat pra conseguir completar a tão cobiçada coleção de bichinhos de pelúcia, bem vindo. Acontece que tanta energia vinda do leite não adiantou muito, já que estudos apontam que 75% do oxigênio nos anos 1990 foi usado pra soprar cartuchos e revivê-los (ou pelo menos tentar).

Agora, se você mentiu que “não” estava afim de alguém no caderno de enquetes da sua turma, aqui é o seu lugar também. Se se sentiu aliviada quando a Sandy – poxa era, ela, a Sandy! – revelou pra Capricho que era BV, sinta-se em casa. Afinal, você usou aquela gargantilha apertada e coçando à beça junto com uma camisa xadrez e um coturno em pleno verão brasileiro só pra conquistar o crush e não deu certo, mas tudo bem, aqui a gente te entende. Ou ainda, se você teve que esperar a sua avó desligar o telefone pra poder zzzzzzzz se conectar à internet pra baixar uma música que ia demorar mais ou menos isso aqui:

E mesmo que você tivesse o álbum físico, ia ter que reservar um tempinho pra procurar no porta cds. E, claro, rezar pra que o CD não estivesse riscado. Se não, no discman você ia pulando daqui até o colégio, pelo menos era estiloso:

Falando assim, parece até que os anos 1990 foram só passar trabalho, mas a sofrência mesmo ficou apenas pra Sandy e Júnior, os pequenos sertanejos que foram os ídolos mirins mais amados e idolatrados no Brasil noventista. Mas, vamos falar de coisa boa: a década começou com o fim da Guerra Fria e com a consolidação da democracia como regime político em diversos países no mundo. Foi nesse período também que se iniciou o processo de globalização. Além de que, a nossa querida internet – da qual não vivemos sem hoje – começou a ser comercializada e popularizada durante esse período.

E diante dessas mudanças políticas, culturais, tecnológicas e econômicas que definiram a década de 1990 é óbvio que a moda e a música não iriam sair ilesas. Nesse post, vamos relembrar como essas duas formas de expressão que amamos tanto se uniram e deixaram uma marca na história, que se reflete até hoje. Então, pega o lencinho ou prepara o riso que vamos te contar tin tin por tin tin o que rolou durante esse dez anos na moda e na música. E, ah, se quiser entrar de cabeça na década, também dá pra dar play nessa playlist aqui:

Depois de uma década de exageros, os anos 1990 chegaram mais sóbrios e com uma proposta diferente: o minimalismo. E esta tendência dos anos 1990 tem tudo a ver com a tendência de comportamento atual. Hoje, as pessoas estão cada vez mais preocupadas em consumir menos e melhor e ter um guarda roupas com menos peças de roupas, mais funcional  e prático. Não estamos dizendo que para você ser minimalista é necessário ter só peças básicas, mas peças mais neutras ajudam nesse processo. Nesse sentido, o minimalismo dos anos 1990 e os seus conjuntos monocromáticos, cores neutras, modelagens mais amplas, curvas mais discretas e looks andróginos pode ser uma inspiração pra quem quer ficar mais clean. No filme Patricinhas de Beverly Hills, de 1995, a icônica Cher Horowitz, interpretada por Alicia Silverstone, representa bem esse estilo mais sóbrio.

E falando em Alicia Silverstone, muita gente não sabe mas ela ficou conhecida antes mesmo de interpretar a patricinha mais amada dos anos 1990! Antes disso, ela estrelou os clipes de Cryin, Amazing e Crazy do Aerosmith – sendo que dois deles foram do lado da Liv Tyler. Os clipes bombaram demais e tocaram no Brasil graças à MTV Brasil que chegou por aqui em 1990, mudou a forma como nos relacionamos com música e fez uma geração querer ser VJ.

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Falando em MTV, um dos gêneros que dominou o canal nos anos 1990 foi o grunge. O estilo surgiu nos Estados Unidos, mais precisamente em Seattle, no final dos anos 1980 influenciado pelo punk, o indie rock e até mesmo o heavy metal. Com letras com altas doses de angústia e sarcasmo que falavam sobre temas como alienação social, apatia, confinamento e desejo de liberdade, roupas coloridas é o que nós não podemos esperar daqui. Assim como as músicas, o estilo grunge também é despojado, quase que “largado”. Calças jeans rasgadas ou surradas, bermudas largas, camisas xadrez ou de flanela, tênis de lona ou skate eram as peças mais usadas pelo estilo simples, mas marcante de bandas como Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam.

Eddie Vedder // Kurt Cobain

Bom, mas esse looks que nós citamos eram mais utilizados pelos meninos. As minas do grunge seguiam basicamente duas vertentes: o unissex e o kindewhore. O primeiro era caracterizado por roupas mais andróginas, um look tomboy. A atriz Winona Ryder e a top model Kate Moss viraram referência no estilo que também era chamado de “heroin chic”, com modelos pálidas, com olheiras e cara de quem acabou de sair da cama. Já a outra vertente do grunge, a kindewhore, misturava elementos “femininos” e até um pouco infantis – vestidos florais, coroas – com outros mais agressivos como meia arrastão, espartilhos, maquiagem pesada e cabelo podrinho. Kat Bjelland, do Babes in Toyland, e Courtney Love, do Hole, ficaram conhecidas por esse.

Winona Rider // Courtney Love // Drew Barrymore

Se nos Estados Unidos o grunge tomava conta, na Inglaterra a mídia britânica só falava sobre britpop. O estilo chegou ao seu auge em 1995 quando os álbuns “(Whats The Story) Morning Glory?”, do Oasis, e “The Great Escape”, do Blur, foram lançados. Foi aí que o estilo, antes relegado ao underground, das casas de shows pequenas das capitais britânicas, ganhou o mainstream e o estilo teve um breve vida até o seu declínio em 1997. E se você curte uma disputa, saiba então que o auge disso tudo foi quando Oasis e Blur, as principais bandas do movimento e também rivais, travaram uma disputa que mobilizou o país. Acontece que as bandas lançaram um single no mesmo dia. Quem vendesse mais, ganhava. No fim, a “batalha do britpop” foi ganha pelo Blur, com 274 mil cópias vendidas, contra 216 mil pro Oasis. Agora, se houve rixa entre as duas bandas realmente ou se era só uma questão de marketing, a gente nunca vai saber.

Ainda falando de música, a década de 1990 foi responsável pela popularização da música eletrônica, mas principalmente da dance music. No estilo, predominam os sintetizadores, batidas aceleradas e vocais femininos dignos de divas do pop – não é a toa que no começo da década Madonna começou a fechar parcerias com djs da house music. Na época, músicas com mensagens sobre superação, aceitação e diversão como “Pump Up The Jam”, do Technotronic, e “Rhythm Of The Night”, cantada pela Corona, estouram nas paradas do mundo inteiro.

Não demorou muito pra que outros estilos de eletrônica surgissem no mercado e, talvez, um dos mais expressivos dele tenha sido o techno, muito ligado ao movimento clubber. Com a explosão do techno em Berlim nos anos 1990, uma galera que curtia frequentemente as músicas em clubes underground da cidade começou a ser chamada de clubber. E, claro, que alguma coisa de moda ia entrar aí! Neon, furta cor e tie dye tornaram-se a sua maior marca, além do arco íris acessórios de plástico e muita criatividade não podiam ficar de fora dos clubes. O importante era se montar, usar looks extravagantes e não ter medo de abusar. Hoje, esse mesmo movimento está em ascensão no Brasil. No entanto, as peças super coloridas foram trocadas pelo preto. Mas isso não quer dizer que o pessoal parou de ousar. Peças holográficas, glitter, plataformas, chokers, tecido vinil e tudo que choque tá permitido no rolê. Ou seja, o espírito continua o mesmo, mas um pouco menos colorido.

Saindo da eletrônica e da Alemanha, vamos voltar pros Estados Unidos onde além do fenômeno do grunge também tivemos outro bem significativo: a ascensão do rap. Isso tudo se deu pelo nascimento do gangsta rap no final dos anos 1980, lá na costa oeste dos Estados Unidos. O N.W.A. formado por um time incrível (Eazy-E, Dr. Dre, Ice Cube, MC Ren e DJ Yella – quase todos seguiram em carreira solo depois do grupo) conquistou uma multidão com as suas músicas que denunciavam a violência policial, os problemas nas comunidades, as rixas entre gangues e o tráfico. Junto com eles 2pac, Snoop Dog, The Notorious B.I.G. entre outros rappers fizeram história e influenciam a música até hoje em dia. No Brasil, os Racionais MC’s foram influenciados pelo movimento gangsta e em 1998 ganharam o prêmio VMB na categoria Escolha da Audiência com o clipe de “Diário de Um Detento” popularizando o rap no país.

Não por coincidência, 20 anos depois, o rap é um dos ritmos mais escutados em tem grandes expoentes como Kanye West, Kendrick Lamar, Frank Ocean e ainda no Brasil com nomes como Criolo, Emicida e os próprios Racionais MC’s que continuam na estrada em seus projetos solos. Agora falando um pouco de moda, a cultura rapper sempre foi bastante visual. Desde os anos 1980, as calças largas e baixas, as camisetas ou moletons oversized e tênis caracterizavam quem curtia o movimento. Mais pra frente surgiu a cultura “bling ring”, que era basicamente o que os funkeiros fazem hoje em dia no Brasil: ostentar logos de marcas de luxo e joias. A ideia do movimento com isso era mostrar que qualquer jovem negro poderia chegar no “topo do mundo” e acessar as melhores marcas.

Outra tendência da época que ao mesmo tempo tem e não a ver com a cultura hip hop, isto por ser bem streetwear também, é o athleisure. Se você tem uma queda por stretch, é uma boa época para estar viva, porque essa tendência tá voltando com tudo. Aqui a ideia é misturar roupas esportivas com peças do dia a dia e ficar o mais confortável possível. Leggins, agasalhos, moletons largos, chinelo slide e até mesmo a nossa amadinha pochete. Outra característica forte desse estilo é a logomania. Quanto maior e mais exposto o logo das marcas, melhor.

Kate Moss // Britney Spears // Will Smith

Ainda falando em peças confortáveis, uma tendência dos anos 1990 foram as calças de cintura alta: as mom jeans. Confortável, o tipo de calça ainda ajuda a modelar o corpo, pois fica um pouco acima do umbigo. E como uma década costuma renegar a anterior, a gente aposta que você ficava tirando a sua mãe por colocar as calças “lá em cima” nos anos 2000 quando você só queria usar calça de cintura super baixíssima. Sobre isso, nós temos uma notícia pra dar pra você: as mom jeans voltaram com TUDO e estão irresistíveis nessa nova coleção da Youcom.

Winona Ryder // Drew Barrymore

Voltando pra música, mas agora pro final dos anos 1990, tivemos um outro fenômeno: o teen pop, que se arrasta até hoje, só vai mudando de ÍCONES. Foi nessa época que boy bands como ‘N Sync e Backstreet Boys fizeram as minas pirar! Isso sem falar do surgimento de ninguém menos que Britney Spears e das Spice Girls

Falando das Spice Girls, elas invadiram os anos 1990 com seu visual multicolorido regado à muito animal print, saltos plataformas, tubinhos, hotpants, glitter e sportwear. Já Britney foi um ícone por exagerar na combinação entre chokers e croppeds, que eram moda na época e voltaram com tudo hoje em dia. 

Mas não era só na gringa que essas peças faziam sucesso, no Brasil, as famosas dançarinas do É o Tchan ajudaram a popularizar as roupas. Se lembra? Além do axé, os anos 1990 nos deixaram três outras coisas sensacionais. A primeira delas foi o pagode 90. Hits da época cantados por Raça Negra, Molejo e Só Pra Contrariar não podem faltar em um bom karaokê até hoje em dia. A segunda é o manguebeat. Nascido no Recife, o movimento contracultural ficou conhecido principalmente por bandas como Mundo Livre S/A, Chico Science e Nação Zumbi e ecoa na música brasileira até hoje. E, por último, foi nos anos 1990 que o funk carioca tomou força com grupos como Claudinho Buchecha e MC Marcinho.

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Curtiu esse #TBT? É, com tanta coisa que aconteceu nessa década, só fazendo a famosa brincadeira da dobradura ou SAPINO pra escolher o seu amor dos anos 1990:

 

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