A palavra alemã zeitgeist significa “espírito do tempo”. E como identificar o zeitgeist de uma época? Observando situações que se repetem. Já reparou como tem muita gente largando o emprego para correr atrás da tal felicidade?

A americana Marina Shifrin pediu demissão de um jeito que a tornou famosa na web: em um vídeo no qual ela aparece dançando e falando para o chefe tudo o que tinha vontade.

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Marina Shifrin realizando seu sonho: escrever

Marina agora vai se dedicar ao que mais gosta: escrever. Bem humorada, ela declara em seu blog ser “escritora, comediante e garçonete”. Parece piada, mas é sério… Porque correr atrás de um sonho tem lá seu preço! E Marina está disposta a pagar por ele: se for preciso fazer bicos em restaurantes para ter mais tempo para escrever, ela o fará.

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Karin e Fred parecem ter encontrado a felicidade, não acha?

O simpático casal de jornalistas da foto aí de cima, Fred Di Giacomo e Karin Hueck, acaba de deixar um emprego em uma grande editora brasileira para mudar-se para Berlim. Os dois também estão à procura da felicidade e prometem registrar essa busca no Gluck Project.

Batemos um papo com os dois sobre como o projeto deles se iniciou e quais fatores os impulsionaram a mergulhar de cabeça no Glück. Confira abaixo:

Como o projeto começou?

O ponto chave do Glück é questionar a forma tradicional de vida e felicidade que a gente tem como regra (nasça, cresça, arrume um emprego fixo, case, compre uma casa, compre um carro, compre muito antidepressivo e morra num hospital confortável sem nunca se perguntar por que está fazendo tudo isso). Queremos conversar com pessoas que apontem outros caminhos, queremos estudar o que outras pessoas já descobriram sobre felicidade e queremos sair dessa busca toda um pouco melhor do que começamos. Achamos que discutir felicidade é muito relevante, que é uma das coisas mais importantes para o ser humano. Nosso projeto não é só autoajuda, é um questionamento maior de como a sociedade vive e se organiza. E esperamos claro, compartilhar nossas descobertas com as pessoas.

O que impulsionou vocês a montar essa pesquisa?

Acho que a ideia do Glück veio ao questionarmos o modo como estávamos levando nossas vidas em São Paulo, nosso emprego e nossa rotina. Lembramos que estávamos saindo estressados de um dia de trabalho e começamos a falar sobre a possibilidade de pedir demissão. Acho que a ideia de um blog sobre a busca da felicidade veio daí e de lembrar que já tinha tido aquela mesma conversa com dezenas de amigos em cafés e bares. A ideia foi expandindo junto com a vontade de tirar um sabático para procurar outras formas de ganhar dinheiro e viver. A Karin já tinha morado na Alemanha com os pais e era um sonho voltar. Então, além de Berlim ser a cidade da inovação onde muitas coisas estão acontecendo, também tem um fator pessoal de a Karin ser de família alemã e falar a língua.

O que é a felicidade pra vocês ?

Pelo que andamos lendo por aí, felicidade não é algo que se alcança, mas algo que se constrói. Na verdade, a felicidade parece ser uma busca, um aprendizado, um crescimento – não é chegar a um objetivo fixo, como “casar”, “comprar uma casa” ou até “ser feliz”. “Final feliz” só existe em contos de fada, como disse uma das nossas entrevistadas. Felicidade é algo que você deve buscar e praticar a vida toda, sabe? Não achamos que éramos infelizes em nossos empregos ou no Brasil. Achamos, sim, que essa fase nova é necessária para continuar felizes. É um pouco assustador que muitas pessoas passaram a nos procurar como se tivéssemos respostas prontas que vão levá-las direto à felicidade. Ser feliz dá trabalho. Você tem que se dedicar a isso. Não existem soluções fáceis para problemas difíceis.

Concordamos plenamente com a Karin e o Fred, e adoramos a opinião e a coragem deles de tentar ser feliz de uma maneira diferente! Mas eles não são o único casal nessa busca, Paula e Renan, do blog The Outsiders (link) também colocaram o pé na estrada em busca da felicidade. Durante três anos e meio eles vão viajar pelo mundo… num troller!

Conversamos com a Paula e ela contou como tudo começou, veja:

Paula, como esse novo lifestyle começou?

Na verdade, tudo começou com uma seqüência de conversas sobre frustrações e insatisfações, minha e do Renan. E nossas conversas iam buscando aquela famosa formula para ser feliz, aquela formula que todos querem encontrar. Foi nessas observações que entendemos que cada um tem seu modelo, e o modelo que os dois estavam seguindo não funcionava para ninguém: trabalhar das 9h as18h, 30 dias de férias, batalhar para comprar imóvel e quem sabe conseguir trocar de celular. Foi nesse sentimento de insatisfação, que decidimos mudar o modelo.

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Nesta foto os dois aparecem sorridentes em Lucca, na Itália

E qual foi o passo seguinte?

 Planejamos por algum tempo partir em uma viagem de volta ao mundo para ouvir relatos do que as pessoas acreditam que é a felicidade. Deixamos nossos empregos e montamos uma programação dentro do nosso orçamento.

E qual é a melhor parte de viver viajando?

O mais incrível da viagem não é só acordar em lugares diferentes, mas é encontrar pessoas de diferentes históricos – seja rico, pobre, falido, apostador de mega sena e que consideram a felicidade um gesto simples como dividir uma boa conversa, estar com a família, sentar no bar, receber um sorriso. Pode parecer clichê, mas é a verdade, as pessoas querem estar mais próximas umas das outras e compartilhar seus sentimentos.

E o que vocês têm sentido nessa jornada?

Parece que ha uma onda de ‘busca pela felicidade’. Nós achamos isto incrível e ficamos felizes que esta geração almeja mais que um novo iphone, não que conquistas materiais não sejam importantes, porem elas não deveriam ser primordiais. Ate agora estamos muito satisfeitos com as pessoas que encontramos e os relatos que estamos colhendo.São estas pessoas que nos movem para o próximo destino e nos impulsiona a continuar.

Vamos acompanhar a história destas pessoas que largaram tudo em busca de se realizarem e serem felizes!

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